oferecem os melhores tratamentos possíveis”, enfatiza. Em 2024, ela presidiu o Congresso Mundial de Mieloma da International Myeloma Society, realizado pela primeira vez na América Latina. “Conseguimos trazer este congresso após muita luta e ter realizado este evento no Brasil, pela primeira vez na América Latina, foi motivo de enorme orgulho.” Relação com o HEMO A relação com o congresso da ABHH também ocupa um lugar importante na trajetória das duas homenageadas. Entre as edições que mais marcaram a Dra. Vania está a realizada de forma totalmente online durante a pandemia quando presidiu o congresso. O desafio, lembra, era preservar a qualidade científica e encontrar maneiras de aproximar os participantes apesar da distância. A programação chegou a incluir uma versão do “Que História É Essa, Porchat?”, com Fábio Porchat. Para ela, a experiência mostrou que era possível combinar o rigor científico com momentos de leveza em um período especialmente difícil. “Tenho um carinho muito especial por aquela edição porque ela simboliza nossa capacidade de nos reinventarmos diante de um grande desafio”, afirma. A Dra. Maria Lúcia Lee também guarda uma lembrança especial do congresso: a primeira edição em que participou da criação de uma programação específica para a hematologia pediátrica. Foram duas salas, uma dedicada à hematologia benigna e outra à onco-hematologia pediátrica. “Ver as duas salas cheias foi algo inesquecível. Um desafio vencido”, recorda. A homenagem no HEMO deste ano desperta nela um misto de surpresa e gratidão. “Me senti extremamente gratificada em saber que meu trabalho, no decorrer desses quase 40 anos na hematologia pediátrica, tenha impactado as pessoas de forma tão positiva, fazendo aquilo que amo: cuidar de crianças com leucemia e ensinar”, conclui. A emoção também acompanha a Dra. Vania. “O HEMO faz parte da minha história profissional e da minha vida. Ao longo dos anos, foi um espaço de aprendizado, de encontros, de troca de experiências e, sobretudo, de construção de muitas amizades”, afirma. Ela diz receber a homenagem não apenas como um reconhecimento pessoal, mas como uma celebração das pessoas que fizeram parte dessa caminhada, entre colegas, pesquisadores, equipes, amigos e pacientes. Lições para novas gerações Outro ponto em comum entre as duas trajetórias é o compromisso com a formação de novas gerações. Entre os principais aprendizados que a Dra. Maria Lúcia destaca ao olhar para a própria carreira está a persistência. “Nada se constrói sem muito trabalho, um trabalho contínuo e focado. Nem sempre será simples ou fácil, por isso são necessários persistência e resiliência”, assinala. Para ela, o trabalho não se apoia apenas no conhecimento técnico, mas também na capacidade de ouvir quem está sendo cuidado. “Uma parte fundamental do que fazemos não está calcada apenas na expertise técnica, mas na permanência da escuta ativa de nossos pacientes, que nos ensinam muito sempre.” Ao falar com quem está começando na hematologia, a Dra. Vania ressalta a necessidade de manter a curiosidade e a disposição para aprender em uma especialidade que se transforma rapidamente. Também reforça uma lição que atravessa sua própria história. “É importante criar pontes, compartilhar conhecimento e abrir portas para quem vem depois de nós”, comenta. Mesmo diante dos avanços científicos e de uma medicina cada vez mais sofisticada, ela ressalta que o sentido desse trabalho continua ligado ao cuidado. “Por mais sofisticada que a medicina se torne, nunca perder de vista que, no centro de tudo, existe um paciente que depositou sua confiança em nós. A ciência nos mostra os caminhos, mas é o cuidado com as pessoas que dá sentido à nossa profissão”, completa. A programação do HEMO 2026 está distribuída em 10 salas temáticas simultâneas organizadas por áreas. Confira a programação completa no aplicativo do congresso, que fica ativo pós-evento para emissão de certificados e outras informações. ABHH em Revista 16 / 2026 18
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