Vale destacar que o mais importante não são essas tecnologias e sim os doutores que, na verdade, são mestres incansáveis em busca de melhores soluções para a qualidade de vida do ser humano 16 / 2026 ABHH em Revista 39 A carreira de Paulo Cezar Pacheco na área médica começou nas vendas, mas o contato com os bancos de sangue ampliou seus objetivos. Ao conhecer a realidade dos serviços, percebeu que poderia contribuir para mudar as condições que encontrava. A inquietação se transformou em iniciativa: passou a fabricar equipamentos e fez da hemoterapia o centro de uma trajetória de mais de cinco décadas. “Eu fiz a primeira geladeira para conservar sangue do Brasil”, relembra Pacheco sobre um dos marcos desse percurso que ganhará uma homenagem na sessão HEMO Reconhece durante o HEMO 2026. A disposição para empreender, porém, começou a se formar muito antes. Nascido em 1946, em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro e neto de italianos e portugueses, Pacheco cresceu em uma família numerosa. Quando o pai adoeceu e precisou permanecer longos períodos afastado de suas atividades, passou a ajudar a mãe no sustento da casa vendendo frutas, verduras e quitutes de porta em porta. “Minha vida sempre foi muito feliz, mesmo tendo vivido muitas adversidades e dificuldades nesta trajetória”, conta. As dificuldades e as perdas familiares fazem parte das lembranças daquela época, mas são os ensinamentos da mãe que ele destaca como referência para sua vida. “Meu mantra é que nada resiste ao trabalho e foi assim que segui, estudando e trabalhando para honrar os ensinamentos de minha mãe”, afirma. Anos depois, o interesse pelo comércio continuaria orientando suas escolhas. Pacheco prestou serviço militar, cursou contabilidade e começou a trabalhar no escritório de uma fábrica onde conquistou a confiança de seu superior e passou a cuidar também de sua contabilidade pessoal. À noite, frequentava um curso de administração e economia. A contabilidade garantia a ele uma profissão e o sustento, mas seu interesse já estava voltado para outra área. A escolha por outro caminho Foi durante o curso que começou a se desenhar sua passagem da contabilidade para a área comercial. Um de seus professores também dirigia um departamento da Adaga, empresa da área médica que importava produtos oftalmológicos e para análises clínicas. Em uma conversa sobre seus planos profissionais, Pacheco falou sobre o desejo de seguir pelo comércio. “Eu falei para ele que fiz contabilidade para ter uma profissão e ganhar meu sustento, mas que meu negócio era o comércio e o empreendedorismo”, relembra. O professor sugeriu que ele se candidatasse a uma vaga na empresa. Em 1969, um telegrama trouxe o convite para uma entrevista e, pouco tempo depois, veio a proposta para trabalhar como vendedor. A decisão significava abrir mão de metade do salário que recebia como contador. “Eu vi como um desafio e arrisquei. Pedi o aviso prévio no escritório e meu ex-chefe não queria me deixar ir, propôs dobrar meu salário, mas eu expliquei que a questão não era mais salário, mas, sim, determinação.” Na Adaga, sua primeira tarefa foi retomar o contato com clientes que já não compravam da empresa. “Me deram uma carteira de clientes inativos na empresa e eu fui atrás de um a um, trazendo-os de volta”, conta. Seis meses depois, Pacheco foi promovido a supervisor e, posteriormente, assumiu a gerência do departamento de análises clínicas.
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