ABHH em Revista 16 / 2026 40 O início na hemoterapia A nova função ampliou seu contato com laboratórios de patologia clínica e análises clínicas e o levou também aos bancos de sangue, ainda poucos naquele período. Nessas visitas, conheceu uma realidade muito diferente daquela que acompanharia nas décadas seguintes. “Os bancos de sangue ficavam em porões e porão não tem credibilidade. Além disso, quem determinava a transfusão não eram os hematologistas até porque mal havia hematologistas. Era tudo completamente diferente”, lembra o empresário. Pacheco conta que, naquele período, a doação de sangue ainda era remunerada e que viu pessoas subnutridas em filas para doar e sangue armazenado com gelo e álcool em freezer. O contato com essas condições fez com que começasse a olhar para as necessidades dos serviços além dos produtos que comercializava. Ao lembrar daquelas visitas, diz que só pensava em como ajudar os médicos. Essa percepção acabaria levando à criação da Alpha, sua primeira empresa direcionada aos bancos de sangue, fundada em 1976. Os recursos eram limitados e ele dividia o tempo entre as vendas e a produção. Foi nessa fase que desenvolveu a geladeira para conservação de sangue que, segundo ele, foi a primeira fabricada no Brasil. A produção incluiu ainda centrífugas refrigeradas, autoclaves, agitadores e outros equipamentos. Ele também recorda o apoio de profissionais que acreditavam na modernização dos serviços. “Tive muita ajuda de um pessoal da antiga que acreditava que eu realmente estava tentando trazer uma melhora no nível técnico e tecnológico do segmento”, comenta. Anos depois, Pacheco vendeu a Alpha para um grupo empresarial, tornou-se acionista e permaneceu nessa condição durante três anos. Em seguida, associou-se a uma pequena distribuidora de materiais médicos e iniciou uma nova etapa de sua atuação. A hemoterapia, porém, continuou no centro de seu trabalho. “Eu não sei por quê, é um feeling, é ver a vontade de algumas pessoas querendo mudar a hematologia, a luta para sair de um porão e se tornar uma coisa séria, e ver hoje que eu não errei no sonho. Afinal, anos atrás a história era muito diferente”, explica. A consolidação de uma trajetória Em 1991, com 22 anos de experiência na área médica, Pacheco fundou a Comércio Exportação e Importação de Materiais Médicos (CEI). Àquela altura, já havia acompanhado mudanças importantes na hemoterapia brasileira, entre elas a criação dos hemocentros e a incorporação de novas tecnologias aos serviços. A empresa reunia experiências acumuladas em diferentes frentes ao longo daqueles anos, das vendas à fabricação e à distribuição de equipamentos. Para Pacheco, a criação da CEI também representava a continuidade da busca por novas soluções para o setor. “O sonho era trazer novos conceitos para o segmento médico. Viver esta mudança de respeito e comportamento, acompanhar a criação dos hemocentros, toda essa história me encorajou a ir além junto com o apoio dos novos mestres, e de novo, quebrando paradigmas e lutando por novos conceitos”, enfatiza. A CEI ganhou uma dimensão familiar com a participação das filhas Ana Paula e Luciana Pacheco e dos irmãos de Pacheco. Ao longo dos anos, o grupo passou a trabalhar com diferentes dispositivos, sistemas e tecnologias, entre eles filtros para remoção de leucócitos e de microagregados, sistemas de aférese e recuperação sanguínea intraoperatória, imunomodulação por fotoférese e inativação de patógenos. Nesse percurso, o empresário estabeleceu parcerias com fabricantes e recebeu prêmios de distribuição concedidos por empresas internacionais integrantes das listas Fortune 100 e Fortune 500. Atualmente, ainda à frente do CEI Group, segue criando empresas que, conjuntamente, empregam mais de 1.350 colaboradores. Ao olhar para esse percurso, Pacheco prefere colocar os profissionais da área no centro das transformações que acompanhou. “É uma luta contínua, mas vale destacar que o mais importante não são essas tecnologias e sim os doutores que, na verdade, são mestres incansáveis em busca de melhores soluções para a qualidade de vida do ser humano”, diz. perfil
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