ABHH em Revista - Ed. 16/2026

A hematologia entrou cedo no caminho do Dr. Eduardo Magalhães Rego. Ainda na graduação, em Ribeirão Preto (SP), as aulas de dois professores e figuras de destaque nas especialidades ajudaram a apontar o rumo: Roberto Passetto Falcão e Marco Antonio Zago. Ao encontro com grandes mestres somou-se o fascínio pela ciência por trás das doenças hematológicas. “A biologia molecular é filha da hematologia”, diz o Dr. Rego ao lembrar o que o encantou na especialidade. Vieram a pesquisa, a clínica e uma carreira construída justamente no encontro entre esses dois mundos. Décadas depois, os lugares se inverteram. O aluno marcado por seus professores tornou-se professor titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pesquisador e orientador. Hoje é o Dr. Rego quem acompanha os primeiros passos de novas gerações de médicos e cientistas e encontra nessa troca uma das grandes satisfações da carreira. Entre a ciência, formação e assistência, coordena o Serviço de Leucemias Agudas do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e a Hematologia da Rede D’Or na América Latina. Sua história com a ABHH vem de longe. Presente na associação desde sua fundação, ocupou diferentes cargos na diretoria e foi editor do Hematology, Transfusion and Cell Therapy Journal (HTCT), revista científica da entidade. Em 2025, foi eleito presidente para o biênio 2026–2027. À frente da ABHH, tem entre suas prioridades ampliar o espaço para profissionais mais jovens e a representatividade regional e de gênero nos comitês da ABHH. Na entrevista a seguir, o hematologista aponta como uma das bandeiras de sua gestão a renovação e a maior representatividade nos comitês técnicos-científicos da entidade e aborda temas que vão do desafio de atrair mais hematologistas para a hemoterapia ao letramento científico da população. Confira! O que levou o senhor a escolher a hematologia no início da carreira? Minha história com a especialidade começou já no início do curso de graduação em medicina. A disciplina de hematologia era muito bem organizada com excelentes professores e muito bem avaliada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Em particular, tive dois professores que tiveram muito impacto na minha escolha. Um foi o professor Roberto Passetto Falcão, que depois se tornou também meu orientador de doutorado e meu mentor, uma pessoa que teve um impacto muito importante na minha formação. O outro foi o professor Marco Antônio Zago. A dupla era incrível. As aulas que eles davam realmente se destacavam pela didática. Seu interesse pela pesquisa também teve peso nessa escolha? Sim! Sempre me interessei por pesquisa e a fisiopatologia das doenças hematológicas sempre me interessou muito. É importante lembrar que todo o avanço dos conhecimentos em genética e imunologia passou pela hematologia. A biologia molecular é filha da hematologia. Se pensarmos que o primeiro gene e a primeira molécula mais bem caracterizada foram relacionados à hemoglobina, isso nos levou a entender as doenças, de fato, em nível molecular. Então, esse conceito de medicina molecular, de biologia molecular, nasce do estudo das doenças hematológicas. Isso foi muito fascinante para mim. E o que, do ponto de vista clínico, reforçou essa escolha? Na clínica, já em uma fase mais avançada da minha formação, encontrei doentes muito complexos. Particularmente na onco-hematologia, são pacientes graves, com vários aspectos de fisiopatologia. São casos que, 16 / 2026 ABHH em Revista 9 Presidente da ABHH no biênio 2026-2027, o Dr. Eduardo Magalhães Rego destaca como bandeira de sua gestão a renovação e a maior representatividade nos comitês da entidade e aborda temas que vão do desafio de atrair mais hematologistas para a hemoterapia ao letramento científico da população Por Danilo Gonçalves e Madson de Moraes

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