do ponto de vista clínico, são muito desafiadores, e isso também me atraiu. Então, minha escolha pela hematologia foi uma combinação desses fatores. Tive mentores excepcionais, o aspecto científico é fascinante e, do ponto de vista clínico, são casos que demandam e envolvem muito a gente. Uma das grandes satisfações da sua carreira é ensinar e orientar jovens pesquisadores. O que percebe nessa nova geração? Com todo o avanço que testemunhamos na hematologia nos últimos 20 anos, a especialidade tem atraído muitos jovens talentos. Naturalmente, a exemplo do que ocorre na medicina de modo geral, nossos médicos recém-formados têm uma formação heterogênea e nem todos tiveram a oportunidade de ter uma formação tão boa. Mas, na hematologia, temos muita sorte. De modo geral, temos boas escolas de hematologia no país, que também são boas escolas de clínica. Isso ajuda bastante. Depois de ter grandes referências em sua formação, hoje também se vê como um mentor? Gosto de pensar que sim. Já tenho várias pessoas que mentorei e que hoje têm carreiras solo que considero muito bem-sucedidas. Só para citar alguns exemplos, lá em Ribeirão Preto, a professora Lorena Figueiredo Pontes foi minha orientanda. Aqui em São Paulo, mais recentemente, o professor Wellington Fernandes da Silva Júnior, que acabou de ser contratado como docente da USP, foi meu orientado. Tenho orientados não médicos que também estão construindo carreiras muito boas. Tenho o Antônio Roberto Lucena de Araújo, na Universidade Federal de Pernambuco, e também pessoas no exterior. O Diogo Pereira Martins foi meu orientando de doutorado e a companheira dele, Isabel Weinhäuser, também foi minha orientanda. Hoje estão construindo suas carreiras na Holanda e na Europa como pesquisadores independentes. A renovação dos comitês é uma das bandeiras da sua gestão. O que mudou? Os comitês têm uma importância muito grande na ABHH, sejam os institucionais, sejam aqueles ligados às subespecialidades, doenças e atividades. À medida que a comunidade cresceu, vimos também uma necessidade muito grande de renovação. Renovar os comitês da ABHH é abrir espaço para novas pessoas e novas visões. É uma bandeira que assumi na presidência. Estabelecemos, por exemplo, uma participação mínima de pessoas com menos de 40 anos, com pelo menos dois integrantes mais jovens em cada comitê, além de mandatos que favorecem essa renovação. Houve ainda uma preocupação em ampliar a representatividade de gênero e das diferentes regiões do país. Ainda não é perfeito porque é um processo, mas avançamos bastante nesse sentido. Neste ano, a ABHH incorporou a inteligência artificial à sua prova de título. O que muda com essa iniciativa? A incorporação da inteligência artificial permite uma análise mais atualizada da avaliação, considerando se as perguntas são suficientemente abrangentes e bem elaboradas e se todas as áreas da hematologia estão sendo contempladas. É um processo que requer o acompanhamento das lideranças das diferentes subespecialidades hematológicas, mas representa um avanço importante, que poderá servir de exemplo para outras especialidades médicas. Como a ABHH tem atuado para reduzir as desigualdades de acesso? Nos últimos anos, temos tido uma atuação muito importante nas questões de equidade. Isso passa pela equidade no acesso dos pacientes aos tratamentos que oferecem melhores resultados, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde. A ABHH tem participado e lutado para diminuir as iniquidades no tratamento do paciente hematológico. A distância que um paciente com uma doença hematológica precisa percorrer na Região Sudeste é muito diferente daquela enfrentada por um paciente da Região Norte. As dificuldades são muito maiores. Tudo isso está no radar e a ABHH tem buscado se estruturar e se reorganizar para liderar o máximo de movimentos que pode. ABHH em Revista 16 / 2026 10 Com todo o avanço que testemunhamos na hematologia nos últimos 20 anos, a especialidade tem atraído muitos jovens talentos
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