do Hemisfério Norte: os mais velhos e os portadores de comorbidades. Não levamos em conta a possibilidade de vacinar as pessoas que tinham maior probabilidade de pegar a doença e morrer, que são os trabalhadores do transporte coletivo e os que vivem da economia informal”, argumentou. Do ponto de vista municipal, Luzia ressaltou que a dificuldade na aquisição de vacinas caiu como um raio no planejamento local e que o fazer isso sem ummínimo de planejamento foi um grande desafio para os gestores de saúde municipais. “A falta desse planejamento, da aquisição, do número de doses para nossos grupos prioritários não foi suficiente. Enfrentamos judicialização, a queixa da população, fomos heróis e vilões o tempo todo. Isso trouxe para nós um grande desafio para operacionalizar esse Plano”, opinou. Outro problema apontado por ela foi a falta de comunicação pelo nível nacional e o negacionismo, que ajudaram a aumentar a hesitação da população em aderir à vacina. “A hesitação vacinal foi e continua sendo no Brasil um dos grandes problemas”, avaliou. APRENDIZADOS E MUITA LUTA Dez meses após o início da campanha de vacinação contra a Covid-19 no país, quais seriam os aprendizados para os gestores de saúde que atuam no território municipal? Na visão de Luiza, que tem 37 anos de trabalho na saúde pública, as equipes locais tiveram que se reinventar para aprender o manuseio dos diferentes tipos de vacina. “Tivemos que lidar com os aprendizados de vacinas novas, com plataformas que desconhecíamos, com intervalos, aplicações, conservação. Para realizar essa campanha, tivemos que integrar gestão, assistência, vigilância, trabalhar muito a interdisciplinaridade, com a imprensa... Foi um grande desafio para nós. Foi preciso ter uma força coletiva e envolver toda a unidade [de saúde].” Ao ressaltar a combatividade dos gestores locais, o professor Gonzalo citou a falta de comunicação assertiva e as fake news como pontos negativos. “Não se faz campanha de vacinação sem comunicação. No caso da Covid-19, toda a imprensa fez o papel que o Estado deveria ter feito na comunicação. Tivemos, em campanhas de vacinação, de vacinar em um dia 10 milhões [de pessoas]. Como conseguimos isso? Comunicando. Faltou comunicação”, observou. Como pontos positivos durante a campanha, Gonzalo ressaltou a produção de vacinas pela Fiocruz e Instituto Butantan e a resposta que o SUS deu ao suportar a pressão de demanda. “Foi importante a capacidade que o SUS teve de suportar na porta de entrada os pacientes que necessitavam de UTI. É importante essa democratização do conceito do SUS. Temos que valorizar muito daqui à frente”, endossou. O COSEMS/SP trabalhou ativamente em 2020 e 2021 para representar as necessidades dos gestores municipais com o objetivo de construir coletivamente as ações da pandemia, que incluiu a vacinação em cada território municipal. O COSEMS/SP entende que o SUS se constrói na relação interfederativa. A campanha de vacinação continua. Ainda não atingimos a sonhada imunidade coletiva, novas doses serão necessárias e outras variantes aparecerão. Foi fundamental capilarizar o conhecimento, disseminar as notícias e fortalecer os gestores. Esse papel foi feito com maestria por meio de sua diretoria, assessoria e apoiadores em fóruns de discussão específicos e simultaneamente alinhados. OPINIÃO DO COSEMS/SP A íntegra do debate sobre o tema da campanha de vacinação de Covid-19 está disponível no episódio do podcast Conexão COSEMS/SP. Ouça agora mesmo! COSEMS/SP no 5 #DezembroVermelho
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