Jornal COSEMS/SP - Ed. 209

Quais as estratégias o senhor considera viáveis paraosmunicípiosavançaremna construção de uma Rede de Cuidados em Saúde Mental num período de pós-pandemia, desfinanciamento, crescente privatização e volta do modelo centrado no hospital e no cuidado uniprofissional? A Rede de Atenção Psicossocial sofre há mais de quatro anos um progressivo desfinanciamento proporcional. Isso significa que o percentual de gastos em saúde destinados à área tem diminuído progressivamente nos últimos anos. Da mesma forma, os valores repassados aos municípios pelo Governo Federal não têm ajuste proporcional à inflação. Os dados não são claros, uma vez que há cada vez menos transparência nas informações de financiamento federal, mas, de um ideal de 5 a 6% do orçamento de saúde, chegamos em 2020 a valores inferiores a 1,5%. Esta diminuição, aliada à reforma trabalhista, leva os municípios a encontrar saídas de barateamento de contratação de recursos humanos, o que invariavelmente se reflete em vínculos precários, mal remunerados e, como consequência, na troca frequente de quadros de trabalhadores. Quaiscuidadosdebase territorial e comunitários podem ser implantados na Atenção Básica para o cuidado em saúde mental pós-Covid? A condução desastrosa da pandemia no país criou uma gigantesca demanda assistencial, que crescerá ainda mais ao longo de 2022. Usuários do sistema foram desassistidos, gerando inúmeras situações de piora clínica. As unidades de saúde vêm sendo progressivamente sobrecarregadas com casos de sofrimento mental decorrente de luto, vivências traumáticas, sequelas cognitivas e afetivas de infecções por Covid-19. Vejo uma verdadeira urgência na qualificação de prescrição O entrevistado desta edição é o médico psiquiatra, doutor em Ciências Sociais e professor de Saúde Coletiva na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Kimati Dias. No bate-papo a seguir, ele analisa os desafios para a criação de uma rede de cuidados em saúde mental num período de pós-pandemia e opina sobre os cuidados de base territorial e comunitários, que podem ser implantados na Atenção Básica. As respostas do especialista foram editadas em razão do espaço limitado e a íntegra da entrevista está disponível no site do COSEMS/SP. Confira! de psicotrópicos, em especial na Atenção Primária, desenvolvimento de ofertas de promoção de saúde mental e uso racional de antidepressivos e ansiolíticos. Como enfrentar os pedidos de judicialização para internação em hospitais psiquiátricos e ou comunidades terapêuticas? As comunidades terapêuticas têm um papel crescente em decorrência de processos diferentes. O primeiro é eminentemente político, resultado de uma aliança improvável entre as corporações médico-psiquiátricas e grupos evangélicos dentro do Governo Federal. O segundo é a interrupção da expansão da Rede de Atenção em Saúde Mental, a qual me referi anteriormente. Em terceiro, uma visão equivocada de que o uso de drogas tem de ser tratado exclusivamente com a oferta de abstinência em ambientes com baixo acesso a elas, mesmo que de forma involuntária. E N T R E V I S T A Marcelo Kimati Dias “Epidemia no país criou gigantesca demanda assistencial em saúde mental” Clique aqui para ler a entrevista completa no site do COSEMS/SP #DezembroVermelho 6 Novembro/Dezembro 2021 | 209

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