Jornal COSEMS/SP - Ed. 210

Acompanhe a Programação do 35º Congresso O episódio com a íntegra do debate sobre os impactos da pandemia no agravamento das crises no Brasil está disponível no podcast “Conexão COSEMS/SP”. Clique para ouvir! COSEMS/SP no anteriores. Precisamos ter uma política econômica que viabilize e fortaleça nossa capacidade de gestão”, destacou. Para Zanetta, a crise sanitária aprofundou as desigualdades sociais e econômicas já existentes no Brasil. “Não foi uma pandemia igual para todos. A diferença de mortalidade relacionada à posição social e a situação racial é nítida. Pessoas pretas e pobres morreram muito mais de Covid-19 do que as demais. O SUS teve um papel decisivo e fez a diferença nesse quadro difícil, que foi agravado por um governo federal que desorganizou as ações de enfrentamento da pandemia. Avalio que a crise sanitária trouxe à tona a discussão da ciência. Não podemos esquecer que o SARS-CoV-2 surgiu a partir da interação do meio ambiente com a sociedade. Precisamos reconstruir a base sustentável nacional e ter uma relação diferente do que o governo federal está demonstrando com o meio ambiente.” GESTÃO DO SUS NA PANDEMIA Outro tema abordado foi o papel desempenhado pelos gestores em nível federal, estadual e municipal com relação ao enfrentamento da pandemia. Zanetta apontou que houve uma quebra do modelo de gestão tripartite e do princípio cooperativo. “A quebra dessa forma de gestão só não culminou com o fim do sistema de saúde porque é uma estrutura baseada em responsabilidade concorrente entre entes federados. No âmbito federal, tivemos uma sucessão de ministros ‘anti-SUS’, que adotaram o discurso negacionista do presidente. Na esfera estadual, o papel de gestor e articulador regional deixou de ser feito e não houve envolvimento nas operações locais. E osmunicípios ficaramcom um grande desafio nas mãos: alguns adotaram as práticas anticientíficas e forampressionados a utilizar recursos em remédios inúteis. O SUS precisa viver uma nova revolução e isso deve ser puxado pelos municípios, que têm o papel de alavancar essas transformações”, reforçou durante o debate. Massuda observou que a crise oportunizou uma análise mais aprofundada sobre os problemas que precisavam ser revistos no SUS. “O SUS não é só universal: é integral e atende das vacinas ao transplante. O desenho foi construído a partir do papel do Ministério da Saúde, que era o de orientar a implantação de medidas que seriam executadas pelos municípios nos âmbitos locais. Com isso, conseguimos ter essa grande capilaridade em 30 anos de sistema, mas não foi o que aconteceu durante a pandemia. Em função dessa desconstrução, houve umprotagonismo inédito dos governos estaduais, mas que não se refletiu emumamelhor capacidade de organização das redes, agravando problemas estruturais emalguns municípios que se viram isolados na capacidade de resposta. A necessidade e importância do SUS ficou cada vez mais evidente, mas ainda não virou agenda política e só vai acontecer quando a sociedade e os gestores defenderemo SUS dentro da perspectiva de construir umpacto de solidariedade”, argumentou. A crise sanitária no SUS foi agravada pelo rompimento das relações interfederativas. O Ministério da Saúde deixou de cumprir suas atribuições, seguindo as orientações negacionistas do presidente da república, que nega medidas preventivas como o uso de máscaras e recomenda o uso de medicamentos sem eficácia. Assim, os municípios assumiram as ações de enfrentamento da pandemia e garantiram a atenção aos pacientes com Covid-19 e a campanha de vacinação, apesar das lacunas da gestão tripartite. A crise econômica provocou prejuízos incomensuráveis na vida das pessoas com aumento das desigualdades sociais, do desemprego, da pobreza, da fome e a piora dos indicadores de saúde. As crises sanitária e econômica são agravadas pela falta de investimentos no desenvolvimento sustentável, acrescentando a dimensão da crise ecológica em nosso país. OPINIÃO DO COSEMS/SP Foto: Getty Images 5

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