#congressocosemssp2026 #congressocosemssp2026 CAPA O P I N I Ã O Jorge Harada é ex-presidente do COSEMS/SP e atualmente atua no Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina e coordena o Projeto da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) na Universidade Federal de São Paulo (UNA-SUS/Unifesp) O privilégio de se manter trabalhando e envelhecendo O país passa por um processo de transição epidemiológica e a mudança do perfil demográfico, com o consequente envelhecimento da população, é um componente importante dessa transição. Nesse sentido, a escolha do tema central do Congresso do COSEMS/SP de 2026, “O SUS e o EnvelheSer: estratégias para uma longevidade digna e com equidade”, é extremamente pertinente. O tema promove discussões, reflexões, troca de experiências e proposição de ações relacionadas ao envelhecimento, reunindo gestores e trabalhadores que atuam diretamente no cuidado à população. Reconhecemos que já houve avanços, mas ainda é necessário identificar os problemas, as dificuldades e os desafios na implementação de políticas públicas específicas e intersetoriais. Essas políticas são essenciais para a constituição de Redes de Proteção às pessoas idosas, capazes de atender às suas necessidades e demandas e garantir boas condições de saúde e qualidade de vida. A promoção desse debate junto à sociedade civil, considerando aspectos históricos, culturais, familiares, sociais e políticos, é imprescindível e necessária neste momento. Como profissional de saúde e cidadão, ao compartilhar algumas reflexões, naturalmente me remeto ao meu próprio momento cronológico, pois faço parte do coletivo etário dos 60+, quase chegando aos 65 anos. Na minha infância e adolescência, nas décadas de 1960 e 1970, a concepção sobre pessoas com mais de 60 anos era de que estavam cansadas, improdutivas, sem saúde e no final da vida. Hoje, ao chegar a essa fase, ainda me sinto com energia, disposição, capacidade física e cognitiva para continuar ativo. Considero-me privilegiado por ter a oportunidade de atuar no campo da assistência, da educação médica e da gestão do SUS ao longo da minha carreira profissional. Sou de uma geração que viveu a era pré-SUS e acompanhei a implantação, evolução e consolidação dessa política que se tornou a maior política social e de cuidado do país. Vivi também outras transformações significativas, como a transição da era analógica para a digital, mas a mudança mais marcante de todas foi a redemocratização do Brasil. Esse processo foi imprescindível para a defesa da vida e da cidadania e continua sendo uma responsabilidade de todos nós. No campo profissional, destaco a oportunidade de ter presidido o COSEMS/SP e de ter participado, junto ao coletivo de gestores municipais, da implantação do Pacto pela Saúde. O COSEMS/SP foi um espaço de aprendizado, formação e convivência com pessoas de notório saber, de grande importância histórica no campo da gestão, do SUS e da Saúde Coletiva. Toda experiência acumulada ao longo dessa trajetória tem contribuído de forma dinâmica para minhas atividades de educação permanente voltadas aos trabalhadores do SUS, bem como para o ensino e extensão que realizo na Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Estar nos 60+ com todas as oportunidades que vivi é um grande privilégio. Poder contemplar o entardecer de forma serena, calma, tranquila e talvez mais sensível, aguardando o novo amanhecer e as novas belezas que ele trará, me dá a certeza de que vale a pena continuar caminhando. Divulgação ANÁLISE Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, a formulação de políticas públicas é central para reorganizar equipes, ampliar a oferta de cuidados e incorporar tecnologias que respondam às novas demandas da população ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO EXIGE FLEXIBILIZAÇÃO DO SUS, AFIRMA ADRIANO MASSUDA A capacidade de flexibilização dos sistemas de saúde diante das transformações sociais, demográficas e ambientais é um dos principais desafios contemporâneos para a gestão pública. Para o médico sanitarista e secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a sustentabilidade e a efetividade do Sistema Único de Saúde (SUS) dependem diretamente da capacidade de o sistema se reorganizar continuamente diante de novos contextos e demandas da população. Segundo Massuda, os sistemas de saúde precisam ser plásticos e flexíveis, acompanhando as mudanças que ocorrem na sociedade. “As necessidades de saúde se transformam ao longo do tempo, influenciadas por mudanças demográficas, epidemiológicas, ambientais e também tecnológicas. O contexto está em permanente transformação e, por isso, é fundamental que o SUS também se transforme continuamente”, afirma. Nesse processo, a formulação de políticas públicas tem papel central. De acordo com o secretário, é por meio delas que se orientam as mudanças necessárias para reorganizar as equipes, ampliar a oferta de cuidados e incorporar diferentes tecnologias capazes de responder às demandas emergentes da população. Um dos fatores que mais impactam atualmente a organização dos sistemas de saúde é o envelhecimento populacional. Massuda destaca que o próprio SUS teve papel fundamental nesse processo ao ampliar o acesso aos serviços e melhorar indicadores de saúde no país. “É importante reconhecer que o SUS contribuiu para que as pessoas vivam mais. Esse avanço trouxe diferentes padrões de envelhecimento e novos desafios para o sistema de saúde”, explica. Diante desse cenário, torna-se necessário repensar a organização da rede de serviços e as tecnologias disponíveis para garantir atenção adequada à população idosa. O aumento da expectativa de vida exige estratégias que integrem prevenção, cuidado contínuo e atenção especializada, além de novas formas de organização das equipes e dos serviços. No âmbito do governo federal, a atenção à saúde da pessoa idosa tem sido tratada como uma das prioridades das políticas públicas em saúde. Segundo Massuda, essa agenda faz parte de um processo mais amplo de recuperação e reconstrução de políticas públicas, acompanhado de iniciativas voltadas à inovação e à ampliação da oferta de serviços. Entre as ações mencionadas estão a retomada da cobertura vacinal, o fortalecimento da atenção especializada e a revitalização de programas estratégicos do SUS, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o programa Farmácia Popular. “Há um movimento de recuperação de políticas importantes aliado à expansão da oferta de serviços. Ao mesmo tempo, estamos formulando estratégias específicas para lidar com o envelhecimento da população, priorizando esse segmento em diferentes programas e iniciativas”, destaca. Para o secretário-executivo, o desafio colocado para os gestores públicos é garantir que o SUS continue evoluindo para responder às necessidades de uma sociedade em transformação, mantendo seus princípios de universalidade, integralidade e equidade. 7 6 Abril | 223 Conheça os cursos a distância da UNA-SUS sobre envelhecimento e atenção à pessoa idosa
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