Atenção Básica - Vol.I

respectivamente. Já a medicação da AU e a ausculta do BCF a partir da 16° semana foram realizados somente em 57,7% e 50,7% dos casos. A vacinação antitetânica adequada também foi baixa realizada em 54,2% das gestantes. Os exames laboratoriais formam os indicadores com a pior adequação, com realização dos exames do 1° trimestre realizados por 41, 9% das gestantes e com queda da adequação em relação aos exames do 3° trimestre realizados por 14, 1% das gestantes. Em relação ao PNAR, 38,1% das gestantes foram consideradas de alto risco e 86,4 foram acompanhadas. Foram encontradas possíveis falhas na classificação de gestação de alto risco em 10,3% dos casos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cobertura de PN de Guarulhos foi pior do que a cobertura em nível nacional, enquanto Guarulhos apresentou 10,3% das gestantes sem pré-natal, no Brasil apenas 2,2% não realizaram o PN em 2015 (LEAL et al, 2018). Em relação ao início precoce considerando início em 12 semanas Guarulhos apresentou um resultado melhor do que encontrado por POLGLIANE em 2014 na cidade de Vitória. Porém ainda possui um percentual baixo, considerando sua importância ao permitir o acesso a diagnósticos e tratamento de doenças em tempo oportuno, além de proporcionar uma estimativa de idade gestacional adequada para monitoramento do crescimento fetal (ROSSBACH et al, 2003). A adequação em relação ao número de consultas também foi baixo com somente ¼ realizando 7 consultas ou mais, e mesmo considerando a idade gestacional apenas 58,7% das gestantes passaram em número suficientes de consultas. Adequação pior que o Brasil que em 2015 teve 66,9 de gestantes com 7 consultas ou mais (LEAL et al, 2018). E apesar de não existir consenso internacional sobre o número ideal de consultas, no Brasil, o MS preconiza o número de 7 consultas, que melhora o vínculo e as oportunidades de reconhecimentos de riscos gestacionais, além de reduzir o risco de baixo peso e prematuridade, condições de piora dos desfechos perinatais (DOMINGUES et al 2012; LANSKY et al 2014;). A avaliação dos procedimentos preconizados apresenta-se mais baixo que em São Luís e Vitoria (POLGLIANE et al, 2014; GOUDARD, 2016). Já a baixa cobertura dos exames já foi verificada em outros estudos (TREVISAN et al 2002; DOMINGUES et al 2015). Procedimentos simples e de baixo custo como a medida da altura uterina, peso e pressão arterial podem diagnosticar condições como: restrição de crescimento fetal, alterações no líquido amniótico, gestação múltiplas, obesidade e hipertensão gestacional entre outras (FREIRE et al, 2006; VALLE et al, 2008). Além disso, com a evolução dos métodos diagnósticos e a mudança no panorama das doenças, como o aumento da prevalência de diabetes, e das doenças sexualmente transmissíveis a ausência do resultado de exames básicos de rotina representa a perda de oportunidade de diagnóstico e tratamento de agravos passíveis de controle, como a infecção pela sífilis e pelo HIV, anemia, infecção urinária e bacteriúria assintomática. Todas essas condições são causas de vários desfechos perinatais negativos e para as quais existem intervenções efetivas (AMORIM E MELO; 2009; POLGLIANE et al, 2014; DOMINGUES et al, 2012; GOUDARD, 2016). Para concluir, podemos afirmar que a assistência prénatal na cidade de Guarulhos, em seus componentes mais básicos preconizados pelo Ministério da Saúde, apresentou inúmeras falhas, resultando numa adequação muita baixa da assistência. Esse achado pode explicar a persistência de resultados perinatais desfavoráveis e essas falhas devem ser discutidas em nível de gestão e com os profissionais envolvidos na assistência para superação e qualificação da assistência pré-natal. ATENÇÃO BÁSICA 210

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