Jornal COSEMS/SP - Ed. 212

Acesse a Carta do 35º Congresso do COSEMS/SP Ex-presidente do COSEMS/SP por dois mandatos, Gilberto Natalini afirma que o investimento no SUS é passo fundamental para recompor a saúde pública brasileira E N T R E V I S T A Gilberto Natalini “O SUS só sobreviverá se houver envolvimento de todos” Clique aqui para ler a entrevista completa no site do COSEMS/SP Médico formado pela Escola Paulista de Medicina, Gilberto Natalini iniciou sua trajetória política na década de 1970 quando era estudante de medicina. De lá para cá, foi secretário da Saúde da cidade de Diadema e de São Lourenço da Serra, além de presidir o COSEMS/SP por dois mandatos e comandar também o CONASEMS. Somado à experiência como gestor de saúde, sempre em defesa do SUS, Natalini foi vereador da capital paulista por cinco mandatos. Na entrevista, o médico, de 70 anos, avalia os desafios para o SUS nos próximos anos. Como o senhor avalia o SUS hoje e como priorizá-lo nas pautas eleitorais? O SUS sempre teve uma evolução com altos e baixos, mas está passando um dos piores momentos de sua existência. Primeiramente, o recurso está congelado. Não há dinheiro novo para o sistema, o que está causando desassistência. Também vivemos um desentrosamento entre os entes federativos por falta de diretrizes do Ministério da Saúde que, em vez de ter uma parceria profunda com estados e municípios, como rezam a Constituição Federal e a Lei Orgânica do SUS, entrou em um modelo de competição, com os entes federativos numa espécie de vingança política, partidarizando a saúde no país. Quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo SUS nos próximos anos? Precisamos de dinheiro novo no sistema porque a defasagem do financiamento do SUS é grande. O sistema já foi subfinanciado, mas, agora, está desfinanciado. Também será preciso um choque de gestão para voltar à harmonia tripartite do SUS. É necessário fazer funcionar esse modelo de pacto federativo, que é revolucionário, como já ocorreu em outras épocas. Ou seja, precisamos que o Governo Federal, Governo estadual (por meio do CONASS) e governos municipais (por meio do CONASEMS) se sentem à mesa para voltar à questão tripartite e equacionar a questão do sistema. Numa entrevista de 2017, o senhor afirmou que há um “grande perigo no Brasil de termos uma lesão irreversível no SUS que criamos”. Como estamos hoje? Nós, que ajudamos a criar toda essa estrutura que é o SUS, temos uma preocupação grande porque as forças contrárias ao SUS são ainda presentes e muito violentas. Exemplo disso ocorreu em 2015, no governo Dilma, quando o Congresso aprovou e foi sancionada a entrada do capital estrangeiro na saúde brasileira, algo que era proibido pela Constituição. Isso nos assusta muito porque esse capital é predatório, não tem qualquer compromisso com a saúde dos brasileiros, tratando-a como mercadoria. O SUS é um sistema de saúde do Estado, e não de um governo específico. É o grande plano de saúde do povo brasileiro. Além do financiamento, do choque de gestão, o SUS precisa de uma ação republicana, porque só sobreviverá se houver uma ação com envolvimento de todos os entes federativos e de toda a sociedade brasileira, a fim de melhorar e amparar todo o sistema de saúde. O SUS é o grande plano de saúde do povo brasileiro. 6 Maio/Junho 2022 | 212

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