ABHH em Revista 07 / 2023 26 Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil coleta mais de três milhões de bolsas de sangue por ano, o que origina cerca de cinco milhões e meio de hemocomponentes. Deste total, dois milhões são descartados, sendo 80% no setor público e 20% no privado. Diretor científico da ABHH, o Dr. Dimas Tadeu Covas avaliou durante o webinar que muitos pontos da PEC não têm sido aprofundados e a discussão assumiu um tom mais emocional por parte da imprensa. “A Política de Hemoderivados no Brasil completará 60 anos em 2024. Até 1988, com a Constituição Brasileira, ocorreram algumas manifestações, mas pouco foi feito. Mesmo com a Lei do Sangue, de 2001, pouco se discutiu sobre o tema. Em 2004, com a fundação da Hemobrás, o assunto aparentemente foi relegado a esta decisão, esperando que ela sozinha pudesse resolver a questão”, disse. Participaram do webinar os Drs. José Francisco Comenalli Marques Jr. (presidente), Dante Langhi (diretor administrativo) e Carlos Chiattone (vice-diretor de Relações Institucionais). Brasil segue longe da autossuficiência Segundo o diretor científico da ABHH, o Brasil está longe de ser autossuficiente e distante de ter uma indústria de hemoderivados efetiva. Ele observou que até os Estados Unidos, um país autossuficiente nessa questão, tem sido desafiado pela demanda de plasma de outros países, principalmente da Europa. “Noventa por cento do plasma exportado dos Estados Unidos tem a Europa como destino, que depende de pouco mais de 50% do plasma americano para fazer funcionar a indústria de hemoderivados”, detalhou o Dr. Dimas, Em nota sobre a PEC 10/2022, a ABHH se posiciona de forma favorável a participação da iniciativa privada na comercialização de plasma humano e no fracionamento do plasma humano excedente no Brasil, mas é contra a coleta remunerada de doadores de plasma que complementou afirmando que essa questão é um problema global. Outro país que enfrenta dificuldades no mercado de hemoderivados é a China, que tem uma grande demanda de albumina e não consegue atender seu mercado interno. Neste contexto, os hemoderivados estão sendo considerados soluções estratégicas em muitos países, principalmente os de países com economias desenvolvidas, que trabalham para transformar este desafio em um ativo econômico e em um grande incentivo de políticas industriais. “Existe também um grande esforço para se obter a eficiência e a atualização no sentido de utilização clínica dos derivados do plasma, que estão sendo testados em estudos clínicos principalmente para doenças raras”, assinalou o Dr. Dimas.
RkJQdWJsaXNoZXIy MTg4NjE0Nw==