ABHH em Revista - Ed. 16/2026

“Transformamos o mieloma, mas ainda não o vencemos” À frente da Conferência Magna do HEMO 2026, o Dr. Sundar Jagannath fala sobre os avanços no tratamento do mieloma múltiplo, seu entusiasmo em definir o que é cura na doença e explica que as perguntas ainda sem resposta continuam a mover sua pesquisa Por Madson de Moraes e Roberto Souza Quando o Dr. Sundar Jagannath começou a tratar pacientes com mieloma múltiplo há mais de quatro décadas, as opções terapêuticas eram limitadas e falar em cura parecia distante da realidade clínica. Formado em Medicina na Índia com passagem pelo Canadá e carreira construída nos Estados Unidos, o onco-hematologista acompanhou de perto uma transformação que passou pelo transplante de células-tronco e chegou aos anticorpos monoclonais, células CAR-T e anticorpos biespecíficos. Professor de medicina, hematologia e oncologia clínica na Icahn School of Medicine at Mount Sinai e no Tisch Cancer Institute, em Nova York, o Dr. Jagannath construiu uma trajetória marcada pelo desenvolvimento de ensaios clínicos com novas terapias. Estudos que liderou e dos quais participou contribuíram para a aprovação de diversos medicamentos para o mieloma pela Food and Drug Administration. Ao longo da carreira, também ajudou a formar gerações de médicos e pesquisadores e sua produção científica reúne mais de 400 artigos revisados por pares. No HEMO 2026, ele será o palestrante da Conferência Magna “Mieloma múltiplo – O caminho para a cura”. Na entrevista a seguir, o Dr. Jagannath relembra momentos de sua trajetória, fala sobre os avanços que transformaram o tratamento do mieloma e explica por que considera importante estabelecer uma definição de cura. “Transformamos o mieloma, mas ainda não o vencemos. É isso que me faz continuar voltando. Ainda há trabalho a fazer, pacientes que precisam de tratamentos melhores e descobertas esperando para serem feitas”, diz. Confira! O que levou o senhor a escolher o mieloma múltiplo como foco da sua carreira? Após concluir meu fellowship no MD Anderson, em Houston, passei a integrar o programa de transplante de medula óssea como jovem docente. Investigamos o papel da quimioterapia intensiva associada ao transplante autólogo de medula óssea no tratamento de diversos tipos de câncer. Minha área de pesquisa clínica se concentrava em terapias de altas doses para casos de doença de Hodgkin e linfoma não Hodgkin recidivantes. O esquema CBV, publicado inicialmente pelo nosso grupo em 1986, foi amplamente adotado. Em 1989, me transferi para a University of Arkansas for Medical Sciences em Little Rock, no Arkansas, para dirigir o programa de transplante de células-tronco. Lá fui apresentado ao mieloma múltiplo como foco de pesquisa pelo meu mentor, o Dr. Bart Barlogie [hematologista norte-americano que liderou inúmeras conquistas ​no avanço do conhecimento sobre a doença]. Foto: Divulgação

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