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Jan • Fev • Mar • Abr 2016 |
MEDICINA NUCLEAR EM REVISTA
O ESPECIAL ISTA
Quais os benefícios do RMB para
a medicina nuclear?
O RMB trará como principais avan-
ços a independência nacional na
produção de molibdênio e a expan-
são da produção de tecnécio. Isso
vai dar à área de radiofarmácia bra-
sileira uma estabilidade muito
maior. Hoje dependemos da impor-
tação de todo molibdênio que usa-
mos no País, algo que é bastante
dificultoso, não apenas pelas varia-
ções do preço do insumo no merca-
do, mas pela flutuação do próprio
dólar com relação ao real. Assim, o
setor de medicina nuclear passa
pela dificuldade de não termos essa
produção a um custo fixo e no míni-
mo possível.
Além disso, não podemos esque-
cer que o RMB não será dedicado
somente à produção. Ele também
terá grande serventia como reator
de pesquisa científica, sendo inclusi-
ve empregado na busca de diferen-
tes radioisótopos ou mesmo para
testes de materiais em ambientes
radioativos, vitais para o conheci-
mento que empregamos na constru-
ção de novos reatores.
E no quesito desafios? Quais são os
principais?
A Comissão passa hoje por dois
grandes desafios. O primeiro está
relacionado à sua estrutura organi-
zacional. Basicamente, temos uma
estrutura de autarquia desempe-
nhando um papel de produção e ati-
vidades fabris, o que traz dificulda-
des. A CNEN é composta por 2,1 mil
funcionários que atuam em 14 unida-
des e seis institutos de pesquisa. Esse
contingente é responsável por fiscali-
zar todas as instalações nucleares do
País e também por boa parte da pes-
quisa desenvolvida na área nuclear
do Brasil, atuando também na pro-
dução de radiofármacos importan-
tes. Por conta disso, o ideal seria dis-
por de uma força de trabalho de 3,1
mil funcionários, mil a mais do que
temos hoje, mas passamos por uma
fase de déficit de concursos.
Por conta desse cenário, busca-
mos soluções perenes, principal-
mente para o setor de radiofarmá-
cia. Isso nos aproxima muito da
SBMN, entidade com a qual temos
reuniões rotineiramente a fim de
encontrar saídas que possam ajudar
NOSSO PRINCIPAL PROJETO
PELA EXPANSÃO DA MEDICINA
NUCLEAR É O REATOR
MULTIPROPÓSITO BRASILEIRO
na expansão da medicina nuclear no
Brasil. Uma dessas soluções pode
vir a ser permitida em breve por um
marco regulatório para ciência e tec-
nologia, algo que flexibilizasse a ges-
tão financeira e de recursos huma-
nos. É fundamental termos uma
estrutura de gestão diferente de
uma autarquia, principalmente
com uma unidade fabril do porte
da radiofarmácia.
O outro grande desafio não diz
respeito apenas à CNEN, mas ao
País como um todo, e é o contingen-
ciamento de gastos. Essa situação é
enfrentada por toda a estrutura do
Governo, chegando ao MCTI e, por
consequência, à Comissão. Por ser
causada por incontáveis fatores que
fogem das esferas de atuação da
CNEN, só podemos esperar que o
contexto econômico melhore.
Qual a sua visão sobre a medicina
nuclear no Brasil? Em que ponto
estamos e para onde vamos?
Como alguém que atuou com pes-
quisa a vida toda, vejo que a espe-
cialidade tem hoje um vasto campo,
e não só para aplicação em diagnós-
tico e terapia, em que essa relevân-
cia já é bem percebida e aceita, com
resultados evidentes.
Ainda existe uma frente enorme
para pesquisa a ser explorada. A
CNEN enxerga esse potencial e tem
interesse em colaborar a partir des-
sas pesquisas como parceira de uni-
versidades e outros centros.
A especialidade tem uma impor-
tância social imensa, que tende a
continuar crescendo e deve se
expandir no âmbito do Sistema
Único de Saúde (SUS). Hoje, cerca




