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18

Jan • Fev • Mar • Abr 2016 |

MEDICINA NUCLEAR EM REVISTA

O ESPECIAL ISTA

Quais os benefícios do RMB para

a medicina nuclear?

O RMB trará como principais avan-

ços a independência nacional na

produção de molibdênio e a expan-

são da produção de tecnécio. Isso

vai dar à área de radiofarmácia bra-

sileira uma estabilidade muito

maior. Hoje dependemos da impor-

tação de todo molibdênio que usa-

mos no País, algo que é bastante

dificultoso, não apenas pelas varia-

ções do preço do insumo no merca-

do, mas pela flutuação do próprio

dólar com relação ao real. Assim, o

setor de medicina nuclear passa

pela dificuldade de não termos essa

produção a um custo fixo e no míni-

mo possível.

Além disso, não podemos esque-

cer que o RMB não será dedicado

somente à produção. Ele também

terá grande serventia como reator

de pesquisa científica, sendo inclusi-

ve empregado na busca de diferen-

tes radioisótopos ou mesmo para

testes de materiais em ambientes

radioativos, vitais para o conheci-

mento que empregamos na constru-

ção de novos reatores.

E no quesito desafios? Quais são os

principais?

A Comissão passa hoje por dois

grandes desafios. O primeiro está

relacionado à sua estrutura organi-

zacional. Basicamente, temos uma

estrutura de autarquia desempe-

nhando um papel de produção e ati-

vidades fabris, o que traz dificulda-

des. A CNEN é composta por 2,1 mil

funcionários que atuam em 14 unida-

des e seis institutos de pesquisa. Esse

contingente é responsável por fiscali-

zar todas as instalações nucleares do

País e também por boa parte da pes-

quisa desenvolvida na área nuclear

do Brasil, atuando também na pro-

dução de radiofármacos importan-

tes. Por conta disso, o ideal seria dis-

por de uma força de trabalho de 3,1

mil funcionários, mil a mais do que

temos hoje, mas passamos por uma

fase de déficit de concursos.

Por conta desse cenário, busca-

mos soluções perenes, principal-

mente para o setor de radiofarmá-

cia. Isso nos aproxima muito da

SBMN, entidade com a qual temos

reuniões rotineiramente a fim de

encontrar saídas que possam ajudar

NOSSO PRINCIPAL PROJETO

PELA EXPANSÃO DA MEDICINA

NUCLEAR É O REATOR

MULTIPROPÓSITO BRASILEIRO

na expansão da medicina nuclear no

Brasil. Uma dessas soluções pode

vir a ser permitida em breve por um

marco regulatório para ciência e tec-

nologia, algo que flexibilizasse a ges-

tão financeira e de recursos huma-

nos. É fundamental termos uma

estrutura de gestão diferente de

uma autarquia, principalmente

com uma unidade fabril do porte

da radiofarmácia.

O outro grande desafio não diz

respeito apenas à CNEN, mas ao

País como um todo, e é o contingen-

ciamento de gastos. Essa situação é

enfrentada por toda a estrutura do

Governo, chegando ao MCTI e, por

consequência, à Comissão. Por ser

causada por incontáveis fatores que

fogem das esferas de atuação da

CNEN, só podemos esperar que o

contexto econômico melhore.

Qual a sua visão sobre a medicina

nuclear no Brasil? Em que ponto

estamos e para onde vamos?

Como alguém que atuou com pes-

quisa a vida toda, vejo que a espe-

cialidade tem hoje um vasto campo,

e não só para aplicação em diagnós-

tico e terapia, em que essa relevân-

cia já é bem percebida e aceita, com

resultados evidentes.

Ainda existe uma frente enorme

para pesquisa a ser explorada. A

CNEN enxerga esse potencial e tem

interesse em colaborar a partir des-

sas pesquisas como parceira de uni-

versidades e outros centros.

A especialidade tem uma impor-

tância social imensa, que tende a

continuar crescendo e deve se

expandir no âmbito do Sistema

Único de Saúde (SUS). Hoje, cerca