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MEDICINA NUCLEAR EM REVISTA
| Jan • Fev • Mar • Abr 2016
O ESPECIAL ISTA
de um quarto da nossa receita vem
pelo SUS, que atende três quartos
da população brasileira, enquanto
três quartos da renda vêm do setor
privado, que atende um quarto da
população. Acredito que o futuro
passa por equilibrar um pouco
mais essa relação para ampliar
ainda mais a especialidade e os
benefícios que ela pode trazer.
Quais são, em sua opinião, os
pontos-chave para a expansão
da especialidade?
Um deles é que a iniciativa privada
assuma cada vez mais seu papel na
produção de radiofármacos, entre
aqueles que não estão no monopólio
governamental. É natural que, quanto
mais oferta de radiofármacos tiver-
mos, comuma logística adequada
para fornecimento emdiferentes
locais do País, mais facilitada será a
expansão damedicina nuclear.
Outro ponto passa pela CNEN,
que também pode ter um papel mais
relevante em seus centros de pes-
quisa espalhados pelo Brasil. Hoje
temos uma produção que ocorre
basicamente no Centro Regional de
Ciências Nucleares do Nordeste
(CRCN), em Recife (PE), no Centro
de Desenvolvimento da Tecnologia
Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte
(MG), no Instituto de Energia
Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro
(RJ), e no Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares (Ipen), em
São Paulo (SP), que é o grande for-
necedor atualmente, abrigando a
base de toda a radiofarmácia do
Brasil, de onde saem aproximada-
mente 87% dos radiofármacos utili-
zados no País.
A expansão do setor passa prin-
cipalmente por um apoio do SUS,
para que seja possível encontrar
uma solução ótima, que una recur-
sos públicos e privados. Isso é
necessário para que se tenha uma
produção de fármacos mais diversi-
ficada, com logística facilitada e um
custo interessante para os atores
que participam do processo.
A SBMN e outras instituições
estabeleceram um amplo projeto
de expansão, que passa por áreas
como ensino, valorização de hono-
rários, aumento de autonomia e
avanços na regulamentação de
produção e venda de insumos.
Como a CNEN está nessa conjun-
tura? Como ela pode unir esforços
com a SBMN nessa empreitada?
Nossa maior motivação em apoiar
a expansão da especialidade são
os próprios efeitos sociais da
medicina nuclear, que represen-
tam profundas melhorias no nível
de saúde da população, com ferra-
mentas para terapia e diagnóstico.
A CNEN e a SBMN trabalham
juntas pela expansão desses efei-
tos sociais.
Nossa principal iniciativa para
isso é estrutural, o já falado RMB.
Esperamos colaborar com pesqui-
sas de novos radiofármacos e em
materiais e técnicas necessários
para a construção de usinas e cen-
tros de pesquisa. Também nos
aproximamos desse objetivo na
área de ensino, uma vez que todas
as nossas grandes unidades ofere-
cem cursos de pós-graduação, com
mestrado e doutorado.
Vemos com grande preocupação
essa estrutura gerencial que temos
atualmente para a produção de
radiofármacos, por isso pesquisa-
mos sempre soluções para manter
esse fluxo funcionando de forma
cada vez mais ágil e eficiente.
PARA COTTA, EXPANSÃO DA ESPECIALIDADE PASSA POR UMA
COALIZAÇÃO ENTRE PODER PÚBLICO E INICIATIVA PRIVADA
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