Saúde Mental

SAÚDE MENTAL

SAÚDE MENTAL PREFÁCIO 08 PALAVRA DO PRESIDENTE 09 APIAÍ OS DESAFIOS DA IMPLANTAÇÃO DA RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA DE APIAÍ COM A INTEGRAÇÃO DA REDE DE SAÚDE MUNICIPAL 10 ARAÇATUBA O PAPEL DO PSICÓLOGO DO NASF-AB NO FORTALECIMENTO E ARTICULAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS) ATRAVÉS DE APOIO MATRICIAL E PLANO TERAPÊUTICO SINGULAR EM ARAÇATUBA 12 ARARAQUARA BATE BOLA DA HORA 14 RODAS DE CONVERSA COM MULHERES: PROPOSTA DE APOIO EM SAÚDE MENTAL 16 TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA PROMOVENDO A SAÚDE MENTAL ENTRE MULHERES DE ASSENTAMENTO 18 ATIBAIA REORGANIZAÇÃO COLETIVA DA RAPS ATIBAIENSE 20 BASTOS O MATRICIAMENTO DA SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA DE BASTOS, ATRAVÉS DA IMPLANTAÇÃO DO CAPS 22 BAURU CANTEIRO DO BEM 24 MODALIDADE REPOUSO: UMA PROPOSTA DE CUIDADO INTEGRAL 26 CAFÉ CULTURAL DAS MULHERES, UMA EXPERIÊNCIA DE REFLEXÃO E HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE MENTAL 28 MATRICIAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA, UMA EXPERIÊNCIA DE AMPLIAÇÃO DA REDE 30 MUSICOTERAPIA: MÚSICA COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO DOS USUÁRIOS 32 OFICINA DE PRODUÇÃO DE SABONETES ARTESANAIS – “LOUCURAS CHEIROSAS” 34 CARAPICUÍBA NÚCLEO DE APOIO À CRIANÇA COM TEA 36 CATANDUVA QUEM DANÇA SEUS MALES ESPANTA 38 DESCALVADO “HABILIDADES DE VIDA”: PROPOSTA DE ATENDIMENTO GRUPAL PARA JOVENS ADULTOS EM DESCALVADO/SP 40 DIADEMA CORAL VOZES - UMA EXPERIÊNCIA EXITOSA DA CLÍNICA COMPARTILHADA EM SAÚDE MENTAL 42 RELATO DE CASO CLÍNICO: ADESÃO DE PACIENTE AO TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO ATRAVÉS DO APOIO DA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NA UBS ELDORADO – DIADEMA 44 O CAPS E SUA REDE DE APOIO: UM CAPS SOZINHO NÃO FAZ O QUE UM CAPS ARTICULADO FAZ 46 EMBU DAS ARTES ACOLHIMENTO SAÚDE MENTAL - PSICOLOGIA NA ATENÇÃO BÁSICA PORTA ABERTA 48 “PRÁTICAS INTEGRATIVAS E O IMPACTO NO CUIDADO COM USUÁRIOS EM USO ABUSIVO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS” 50 REDINHAS: O DESAFIO NA ATUAÇÃO TERAPÊUTICA ANTIMANICOMIAL NO TERRITÓRIO 53 SUMÁRIO SAÚDE MENTAL 2

A ARTE DE FAZER SAÚDE: OFICINA PSICOTERAPÊUTICA PROSA E POESIA 55 EMBU-GUAÇU DESMEDICALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE PROJETOS DE VIDA 57 FARTURA TRABALHO DE INTERVENÇÃO À SAÚDE MENTAL – EQUILÍBRIO E SAÚDE 59 TRABALHO DE INTERVENÇÃO À SAÚDE MENTAL – CRESÇA E APAREÇA 61 FRANCO DA ROCHA A PRÁTICA DO TAKKYU VOLLEY COMO ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA EM CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS) E CENTRO DE CONVIVÊNCIA (CECO) DE FRANCO DA ROCHA 63 ACOLHIMENTO FAMILIAR E PSICOEDUCAÇÃO COMO ESTRATÉGIAS NO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO NO CAPSIJ DE FRANCO DA ROCHA 65 TRABALHOS MANUAIS COMO FORMA DE FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS E QUALIDADE DE VIDA 68 A PRÁTICA DA AUTONOMIA NAS RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS ALIADA À AMPLIAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE 70 ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTÍSTICO 72 ATIVIDADES DE PROMOÇÃO DE SAÚDE E ENFRENTAMENTO DO SOFRIMENTO COM ADOLESCENTES NO CAPSIJ EM FRANCO DA ROCHA 74 OFICINAS CULTURAIS NO CAPS II: O COMEÇO DE UMA POTENTE PARCERIA 76 GUARAREMA PROJETO AQUARELA: UM TRABALHO PARA DEIXAR A VIDA MAIS COLORIDA 78 AFETIVIDADE E EMPODERAMENTO FEMININO NA SAÚDE MENTAL 80 GUARULHOS TEAR TECENDO VIDAS: AMPLIANDO POSSIBILIDADES DA REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL - SAÚDE MENTAL, ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 82 ILHA SOLTEIRA O MATRICIAMENTO COMO ESTRATÉGIA DE QUALIFICAÇÃO E GARANTIA NA INTEGRALIDADE DO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL 84 ILHABELA RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE A IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA MELHOR EM CASA NO MUNICÍPIO DE ILHABELA 86 ITAPEVI SAÚDE MENTAL E ATENÇÃO BÁSICA: UMA EXPERIÊNCIA DE ITAPEVI-SP 88 JUNDIAÍ REFLEXÕES SOBRE OS LUGARES DE ENCONTRO EM REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL NO CAPS II JUNDIAÍ 90 LAB DE INCLUSÃO: INTERVENÇÃO SOBRE TRANSTORNOS MENTAIS NA INFÂNCIA NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE JUNDIAÍ – SP 92 CAPS IJ HÍBRIDO – TRANSFORMAÇÕES E POSSIBILIDADES A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DE CUIDADO 24 HORAS 94 RAPS IMPLICADA: EXPERIÊNCIAS DE CONSTRUÇÃO DE REDE DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL QUE ULTRAPASSA LIMITES MUNICIPAIS E ESTADUAIS 96 “COMISSÃO FLORES DE LÓTUS: ARTICULANDO A REDE DE CUIDADOS INTERSETORIAIS A GESTANTES USUÁRIAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS PARA A GARANTIA DE DIREITOS” 98 ACUMULAR-DORES: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EXITOSA NA UBS ESPLANADA NO MUNICÍPIO DE JUNDIAÍ/SP SOBRE ACUMULAÇÃO COMPULSIVA DE FELINOS 100 SAÚDE MENTAL 3

PROTAGONISMO E DIREITOS HUMANOS: PRODUTO E PRODUÇÃO DE UM CURTA METRAGEM POR ADOLESCENTES DO CAPS INFANTO-JUVENIL DE JUNDIAÍ” 102 MAIRIPORÃ INSTALAÇÃO INSENSATOS: EXPERIÊNCIA DA SAÚDE MENTAL DO MUNICÍPIO DE MAIRIPORÃ 104 A DESBUROCRATIZAÇÃO DO CUIDADO ATRAVÉS DA INTERSETORIALIDADE COM O MINISTÉRIO PÚBLICO PARA DISCUSSÃO DE CASOS DO CAPS ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS – TEREZINHA MEDEIROS PINHO NO MUNICÍPIO DE MAIRIPORÃ 106 MARTINÓPOLIS A MOBILIZAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL NA RECUPERAÇÃO DA DIGNIDADE E QUALIDADE DE VIDA DE UMA PACIENTE COM TRANSTORNO MENTAL INSERIDA NO CAPS I DE MARTINÓPOLIS 108 MOGI DAS CRUZES OFICINAS TERAPÊUTICAS NO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA 110 ENVELHECIMENTO ATIVO 112 SAÚDE MENTAL 114 A PRÁTICA DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL EM GRUPO NA ATENÇÃO BÁSICA – INTERVENÇÃO PARA O MANEJO DA ANSIEDADE 115 GRUPO DE SAÚDE MENTAL DO HOMEM NA ATENÇÃO BÁSICA 117 MOGI-GUAÇU “PLANTANDO SAÚDE” 119 DANÇA CIRCULAR NA SAÚDE MENTAL 121 NARANDIBA RODA DE TERAPIA COMUNITÁRIA 123 OURINHOS OFICINA TERAPÊUTICA PARA PREVENÇÃO DE RECAÍDAS 125 OFICINA DE FUTSAL COM USUÁRIOS DO CAPS II DE OURINHOS 127 OUROESTE PROJETO TERAPIA FAMILIAR DOMICILIAR: DIALOGANDO SOBRE SAÚDE MENTAL NUM CONTEXTO FAMILIAR 129 MATRICIAMENTO E AÇÃO COMUNITÁRIA – VALORIZAÇÃO DA VIDA NA ADOLESCÊNCIA 131 OFICINA DE ACOLHIMENTO – TRABALHANDO A AFETIVIDADE E PREVENINDO O SOFRIMENTO MENTAL NA INFÂNCIA 133 POÁ PROJETO ANTI-BULLYING NAS ESCOLAS DO MUNICÍPIO DE POÁ COMO PREVENÇÃO DE AGRAVOS NA SAÚDE MENTAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES 135 PROMISSÃO A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO INTENSIVO NO CAPS COMO FATOR DETERMINANTE PARA REDUÇÃO DAS INTERNAÇÕES HOSPITALARES PSIQUIÁTRICAS 138 AMBULATÓRIO DE SAÚDE MENTAL: DE UM DESUSO PARA UM REUSO 140 RANCHARIA PROJETO “OFICINA DA BELEZA” DO CAPS – I DE RANCHARIA 142 REGISTRO EVENTO ANUAL DE CONSCIENTIZAÇÃO E PROMOÇÃO DA DESINSTITUCIONALIZAÇÃO 144 RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA: DA SOBREVIVÊNCIA AO EMPODERAMENTO 146 PROMOVENDO O SETEMBRO AMARELO ATRAVÉS DE APRESENTAÇÕES TEATRAIS REALIZADAS POR USUÁRIOS DO CAPS DE REGISTRO 148 SAÚDE MENTAL 4

SANTA BÁRBARA DOESTE EXPERIÊNCIAS DE PREVENÇÃO AO USO ABUSIVO DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS/ PROGRAMA DE REDUÇÃO DE DANOS 150 SANTANA DE PARNAÍBA MULTIPLICANDO OLHARES E CUIDADOS AO ADOLESCENTE COM RISCO DE SUICÍDIO 152 HORTA FITOTERÁPICA: UMA ALTERNATIVA DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL 154 OFICINA DE JORNAL: ETERNIZANDO VIVÊNCIAS 157 EXPERIÊNCIAS EM ENCONTROS E OFICINAS DE APOIO MATRICIAL: “DE UM ‘CERTO’ OLHAR À UM CONVITE PARA UM OLHAR INQUIETANTE 159 PREVENÇÃO AO SUICÍDIO - UMA ARTICULAÇÃO ENTRE EQUIPES NA ATENÇÃO BÁSICA 162 RELATO DA EXPERIÊNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO GRUPO PENSANDO SAÚDE COMO ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DE DANOS E PROMOÇÃO DO AUTOCUIDADO PARA OS USUÁRIOS DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ÁLCOOL E DROGAS “TRAVESSIA” 164 EDUCAÇÃO NUTRICIONAL EM GRUPO DE CULINÁRIA NO CAPS ÁLCOOL E DROGAS DO MUNICÍPIO DE SANTANA DE PARNAÍBA 166 EDUCAÇÃO NUTRICIONAL EM GRUPO DE CULINÁRIA NO CAPS INFANTOJUVENIL DO MUNICÍPIO DE SANTANA DE PARNAÍBA 168 SÃO BERNARDO DO CAMPO LIVRO “ENCONTROS E SENSAÇÕES” – COZINHAR COMO UM ATO DE AMOR E DE TRANSFORMAÇÃO 170 INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS – O LÚDICO COMO ESTRATÉGIA NA PROMOÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE 172 PROGRAMA REMANDO PARA A VIDA: DISPOSITIVO TERAPÊUTICO EM SAÚDE MENTAL DE CARÁTER ESPORTIVO, LÚDICO E DE APROPRIAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS MUNICIPAIS 174 SÃO CARLOS SENSIBILIZANDO A REDE DE ATENÇÃO BÁSICA PARA A INTEGRALIDADE DO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL 176 SÃO PAULO O USO DOS JOGOS COLETIVOS NO ACOMPANHAMENTO DA PESSOA USUÁRIA DE SUBSTÂNCIAS EM UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ALCOOL E DROGAS 178 PESCA RECREATIVA COMO OPORTUNIDADE TERAPÊUTICA 180 GPS – RUA E AFETO 182 CUIDANDO DE FORMA COMPARTILHADA DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NA REGIÃO NORTE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO 184 GRUPO ANTITABAGISMO EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DA REGIÃO CAMPO LIMPO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DO TABAGISMO 186 SAMBALELÉ – A PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL NA PONTA DO PÉ 188 PROJETO ATELIÊ TERAPÊUTICO ABERTO 190 CARNACAPS 191 TECENDO A EQUIDADE NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: A EXPERIÊNCIA DO MATRICIAMENTO NA CLÍNICA DO ÁLCOOL E DROGAS 193 ACOLHIMENTO EM SAÚDE MENTAL E O CUIDADO INTEGRAL AO USUÁRIO FRENTE ÀS ESTRATÉGIAS DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR 195 “A SENSIBILIZAÇÃO DE MÁRIO E SUA INCLUSÃO SOCIAL” RELATO DE CASO SOBRE EXPERIÊNCIA EXITOSA CAPS AD III CENTRO - SP 197 O ACOMPANHAMENTO DOS SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS ARICANDUVA I, II E II PELO CAPS ADULTO II ARICANDUVA 199 DESAFIOS DA DESINSTITUCIONALIZAÇÃO – CONSTRUÇÃO DE ITINERÁRIO PARA REABILITAÇÃO 200 SAÚDE MENTAL 5

ATENDIMENTO A USUÁRIOS IDOSOS PORTADORES DE DOENÇAS CRÔNICAS (HIPERTENSÃO E DIABETES) COM COMPROMETIMENTO DA ADESÃO TERAPÊUTICA 202 ESTUDO DE CASO: A IMPORTÂNCIA DA ARTICULAÇÃO DE REDES NO TRATAMENTO DA PESSOA COM DEPENDÊNCIA QUÍMICA 204 SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO 206 VIVENCIANDO O GRUPO DE TABAGISMO NA AMA/UBS INTEGRADA JARDIM CAPELA 208 A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO CAPSIJ 211 IDENTIDADE COMO METAMORFOSE: UMA EXPERIÊNCIA DE GRUPO TERAPÊUTICO COMO DISPOSITIVO DE RESSIGNIFICAÇÃO DE ESTIGMAS E ESTEREÓTIPOS NA CLÍNICA DO CAPS ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 213 GRUPO DE MULHERES TRABALHADORAS E USUÁRIAS DE CRACK EM UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ALCOOL E DROGAS 215 IMPLANTAÇÃO DOS CAPSIJ III NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO 217 PROJETO DE PREVENÇÃO DE SUICÍDIO DA ACOLHIDA AO CUIDADO 219 ATENÇÃO INTEGRAL À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA E AÇÕES INTERSETORIAIS PARA ACOLHIMENTO TERAPÊUTICO NO SIAT III HELIÓPOLIS (PROGRAMA REDENÇÃO) 221 O EXPERIMENTO DO GRUPO ROLÊ COMO FORMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E ATIVIDADE 223 A OFICINA DE TEATRO COMO OFERTA TERAPÊUTICA NO ACOMPANHAMENTO DE PESSOAS USUÁRIAS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS EM UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ALCOOL E DROGAS 225 A DESINTOXICAÇÃO AMBULATORIAL DA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DO ÁLCOOL NO CONTEXTO DE UM CAPS AD: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA NO CAPS AD ERMELINO MATARAZZO 227 GRUPO NO LIMITE – RELATO DE EXPERIÊNCIA 229 BICHO DO MATO: NATUREZA COMO FORMA DE PROMOÇÃO À SAÚDE 231 TECENDO CIDADANIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ARTICULAÇÃO DE REDE INTRA E INTERSETORIAL 233 EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE MENTAL NA UBS JD SELMA 235 SOROCABA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE MENTAL COM ÊNFASE NA ATENÇÃO BÁSICA: UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO EM REDE E DE FORTALECIMENTO DA RAPS 237 PROSA NA PRAÇA 239 A REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DE MORADORES DE UMA SRT EM SOROCABA POR MEIO DO RETORNO À ESCOLA 241 SUZANO QUANTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DO ABSENTEÍSMO NO CAPS II DEVIR DE SUZANO/SP 243 PINTURAS DE MANDALAS NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: UMA FERRAMENTA NA ELABORAÇÃO DO LUTO, RESSIGNIFICAÇÃO DA VIDA E FORTALECIMENTO DOS VÍNCULOS SOCIAIS NA COMUNIDADE 245 BENEFÍCIOS E EVOLUÇÕES DA OFICINA DE ORIGAMI PARA OS USUÁRIOS DO SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL: RELATO DO CAPS 1 ALUMIAR, SUZANO/SP 247 O ATENDIMENTO PSICOSSOCIAL NO MUNICÍPIO DE SUZANO: ESTRATÉGIAS DE SUPERAÇÃO DA MEDICALIZAÇÃO DA VIDA A PARTIR DE UMA TRAGÉDIA EM UMA ESCOLA 249 O GRUPO TERAPÊUTICO DE FAMÍLIA COMO DISPOSITIVO DE CUIDADO AOS USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS 251 TABOÃO DA SERRA OFICINA DE ADOLESCENTES NO CECO: RESSIGNIFICANDO A SI E AO OUTRO 253 SAÚDE MENTAL 6

A DANÇA NA TERCEIRA IDADE: UM INSTRUMENTO DE CRIAÇÃO DE VÍNCULOS E INSERÇÃO SOCIAL 255 A CERÂMICA COMO RECURSO TERAPÊUTICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA 257 SAÚDE E CULTURA DOIS ANOS DE PARCERIA EM TABOÃO DA SERRA 259 RESGATANDO HISTÓRIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE OFICINA DE HORTA E SUA POTENCIALIDADE 261 OFICINA DAS EMOÇÕES: COMO LIDAR COM AS EMOÇÕES NA PRIMEIRA INFÂNCIA 263 EDUCAÇÃO FÍSICA, RECREAÇÃO, ESPORTE E SOCIALIZAÇÃO PARA CRIANÇAS E JOVENS AUTISTAS: A TERAPÊUTICA DA ESTIMULAÇÃO, EM GINÁSIO MUNICIPAL DE TABOÃO DA SERRA 265 UBATUBA IMPLANTAÇÃO DA JUSTIÇA TERAPÊUTICA NO MUNICÍPIO DE UBATUBA: FORTALECENDO OS PILARES DA DIGNIDADE HUMANA 267 VOTUPORANGA “SE MAOMÉ NÃO VAI A MONTANHA A MONTANHA TEM QUE IR A MAOMÉ” O ACOLHIMENTO ITINERANTE EM CENÁRIOS DE USO DE DROGAS COLETIVO COMO FORMA DE SENSIBILIZAR O USUÁRIO AO TRATAMENTO 269 REVISITANDO NOSSAS PRÁTICAS: A EDUCAÇÃO PERMANENTE NAS AÇÕES DE MATRICIAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA NO MUNICÍPIO DE VOTUPORANGA, ENFRENTANDO DIFICULDADES 271 “ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA, NÃO TINHA PAI E MÃE, NÃO TINHA NADA, NINGUÉM PODIA SAIR DALI ENQUANTO A MEDIDA NÃO SE CUMPRISSE” O ADOLESCENTE INSTITUCIONALIZADO NA FUNDAÇÃO CASA E O ATENDIMENTO NO CAPS AD, REFLEXÕES SOBRE A LIBERDADE 273 OUTRAS EXPERIÊNCIAS ITAJOBI IMPLEMENTAR NA PRÁTICA A ARTE TERAPIA NO GRUPO DE SAÚDE MENTAL DE UMA ESF FAVORECENDO PROCESSO TERAPÊUTICO 276 SÃO PAULO ACOLHIMENTO E CUIDADO COMPARTILHADO EM REDE: SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA 278 REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL ATRAVÉS DA ARTE NO TERRITÓRIO DA CRACOLÂNDIA NA CIDADE DE SÃO PAULO 280 SAÚDE MENTAL 7

DIRETORIA DO COSEMS/SP (2019/2021) Presidente: Geraldo Reple Sobrinho - SMS São Bernardo do Campo 1ª Vice-Presidente: CarmemGuariente - SMS Araçatuba 2ª Vice-Presidente: Adriana Martins - SMS Guararema 1ª Secretária: Raquel Zaicaner - SMS Taboão da Serra 2ª Secretária: Luciana Arantes - SMS Batatais 1ª Tesoureira: Maria Dalva dos Santos - SMS Embu Guaçu 2º Tesoureiro: Wander Boneli - SMS Descalvado Diretor de Comunicação: Cristiane Gomes - SMS Paraguaçu Paulista Vogais: Amauri Toledo - SMS Caraguatatuba Ana Fernanda - SMS Capão Bonito Clara Carvalho - SMS Mogi Guaçu Edson Ap. dos Santos - SMS São Paulo Elaine Xavier - SMS Lucianópolis Lucimeire Rocha - SMS Santa Bárbara D’Oeste Márcia Reina - SMS Votuporanga Marco da Silva - SMS Nantes Maristela Santos - SMS Guaratinguetá Paula Terçariol – SMS Lavínia Ricardo Conti - SMS Lençóis Paulista Ricardo Leão - SMS Apiaí Ronaldo Gonçalves Junior - SMS Catanduva Sueli Melo - SMS Monte Alto Tiago Texera - SMS Jundiaí Comissão Organizadora da Mostra : Ana Lúcia Pereira Brigina Kemp Cleide Fernandes Campos Dirce Cruz Marques Lidia Tobias Silveira Márcia Marinho Tubone Projeto Revista Eletrônica: Claudia Meirelles Secretária Executiva Aparecida Linhares Pimenta Assessoria Técnica Brigina Kemp Claudia Meirelles Cleide Campos Dirce Cruz Marques Elaine Giannotti Lídia Tobias Silveira Marcia Tubone Maria Ermínia Ciliberti Mariana Alves Melo Assessoria de Comunicação Bruno Quiqueto Claudia Meirelles E-mail: comunicacao@cosemssp.org.br Projeto Gráfico Marcelo Cielo Editoração Eletrônica RS Press Foto de capa Arquivo COSEMS/SP Em março deste ano fomos surpreendidos com a pandemia provocada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) e por isto a 17º Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios, atividade importante para o COSEMS/SP, foi suspensa, juntamente com o 34º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo. Passado o despontamento inicial por não podermos exibir os trabalhos no espaço da Mostra e promover a troca de experiências, como fazemos todos os anos, nos sentimos convocados a rever o universo dos 1146 trabalhos inscritos e refletir sobre o significado de experiências tão diversificadas do SUS municipal neste momento tão complexo como o contexto da COVID19. Deste total, 1114 trabalhos foram inscritos pelas equipes municipais e 32 trabalhos foram inscritos como outras experiências, modalidade também prevista no regulamento da Mostra. Ehoje, após esta imersão, onde nasce a proposta para a confecção das revistas eletrônicas, acreditamos que as experiências descritas nos trabalhos representam o alicerce com o qual os gestores e equipes municipais contaram para organizar a Rede de Atenção à Saúde, para garantir o enfrentamento da COVID19. A Política Nacional de Saúde Mental tem por objetivo consolidar ummodelo de atenção à saúde mental aberto e de base comunitária, garantindo a livre circulação das pessoas com transtornos mentais pelosserviços, comunidadeecidade. EmconsonânciacomaReforma Psiquiátrica (Lei 10.216/2001), temcomo objetivo a construção de um modelo humanizado, mudando o foco da hospitalização como centro ou única possibilidade de tratamento às pessoas com transtornos mentais e com necessidades de saúde decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas. Nessa perspectiva essa revista traz experiências municipais sobre a organização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no que diz respeito ao processo vivenciado na desinstitucionalização de moradores de hospitais psiquiátricos, bem como na implantação de Serviço Residencial Terapêutico. Traz também experiencias de articulação dos CAPS com a atenção básica e Núcleo de Apoio à Saúde da Família ( NASF) e ações de matriciamento em saúde mental, além de trabalhos que promoveram a articulação do CAPS com hospitais com leitos de saúde mental, manejo clínico nas urgências em saúde mental, experiencias de prevenção do uso abusivo de álcool e outras drogas, implantação de unidade de acolhimento, programas de redução de danos, dentre outros. Muito ainda temos para a avançar nessa área, sobretudo nesse momento de reforço no modelo centrado no cuidado hospitalar. Assim, acreditamos que o compartilhamento das iniciativas pautadas na reinserção social e no cuidado em liberdade tem o papel de inspirar e impulsionar novas conquistas. Boa leitura a todos! PREFÁCIO SAÚDE MENTAL 8

Este ano, como já é do conhecimento de todos, fomos obrigados a adiar o 34º Congresso do COSEMS/SP por conta da COVID 19 no Brasil e no estado de São Paulo, onde continua acumulando, em números absolutos, o maior número de casos no país. O tema do nosso Congresso era COSEMS/SP – 32 ANOS EM DEFESA DO SUS, quando pretendíamos debater o papel da entidade no processo de construção do SUS nos municípios do estado de São Paulo. Neste momento, já estamos retomando a organização do congresso, adiado para março de 2021, primeiro ano de novas gestões municipais, o que nos dá mais responsabilidade na defesa incondicional do SUS. Com certeza, o próximo Congresso vai evidenciar a força viva do SUS, construída no cotidiano da gestão e dos serviços de saúde. Continuaremos trabalhando e lutando pelo SUS que acreditamos, aquele que se faz de no debate democrático e na construção de consensos, com financiamento justo, participação e com muitos aprendizados e ensinamentos. Mostraremos, mais uma vez que mesmo em situações tão adversas, como a que estamos vivenciando em 2020 por conta da necessidade de enfrentar a COVID19, o SUS é capaz de se reinventar no território municipal. Quanto à 17ª Mostra de Experiências Exitosas, que também não foi possível acontecer, a primeira avaliação dos trabalhos trouxe mais uma vez o que nos surpreende a cada ano: a organização capilar e cotidiana da rede de atenção à saúde no ESP, com experiências que revelam o quanto as equipes de saúde são capazes de produzir com o objetivo de garantir o cuidado integral a população do nosso Estado. Este ano, foram inscritos 1146 trabalhos, o que representa um recorde numérico em relação aos anos anteriores. E isto, não poderia passar despercebido pela Diretoria do COSEMS/SP! Como reagir à enorme frustação de não possibilitar à experiência de vermos centenas de pessoas transitando e conversando sobre as sua experiências na construção do SUS e encerrar o processo com a premiação David Capistrano e com as Menções Honrosas? Daí a nossa decisão de publicar todos os trabalhos inscritos na 17ª Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios, por meio de edições especiais, que demonstram o engajamento e o compromisso dos gestores municipais e dos trabalhadores da saúde para ofertar o SUS que a população merece. Seguramente, estas revistas carregam o DNA do SUS! Um orgulho para nós, que representamos os municípios paulistas na defesa do SUS! Geraldo Reple Presidente do COSEMS/SP, SMS de São Bernardo do Campo e Membro do Comitê de Contingência do Governo do Estado de SP PALAVRA DO PRESIDENTE DO COSEMS/SP SAÚDE MENTAL 9

OS DESAFIOS DA IMPLANTAÇÃO DA RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA DE APIAÍ COM A INTEGRAÇÃO DA REDE DE SAÚDE MUNICIPAL Autores: Francisca Helena Nunes, Ricardo Leão Silva Instituição: PREFEITURA MUNICIPAL DE APIAI Município: Apiaí CIR: Itapeva Endereço: Avenida Leopoldo Lemes Werneck Telefone: 35528400 Celular: 981643124 Email: stella_dorini@hotmail.com INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA Em 18 de dezembro de 2012, foi assinado o Termo de Ajustamento de Conduta onde o Município de Sorocaba teria 03 anos para reorganizar as RAPS sob seu domínio, desde então os municípios que tivessem pacientes nos Hospitais da região tinham o mesmo prazo para organizar a Rede em seus municípios e “implantar as Residências Terapêuticas”. O Município de Apiaí possuía 06 munícipes internadosnoshospitaispsiquiátricosemais04pacientesqueocupariamas vagasemcaráter “solidário” e deveria implantar 01RT para acolher osmesmos. A lógica antimanicomial era cercada de preconceitos e “medos” o que favorecia a falta de iniciativa política e social em implantar o serviço no município de Apiaí. Por outro lado as dificuldades financeiras e a fragilidade da Rede, cerceavam as decisões, impedindo uma tomada de atitude. A implantação da RT se justifica pela necessidade de se cumprir as determinações da Reforma Psiquiátrica oferecendo suporte efetivo às pessoas com intenso sofrimento mental e desocupação dos leitos nos hospitais psiquiátricos. OBJETIVOS Acolher pacientes egressos dos hospitais psiquiátricos no serviço residencial terapêutico do município de Apiaí. Reintroduzir os pacientes egressos ao convívio e reinserção social. Qualificar a rede de saúde do município para no processo de trabalho junto aos pacientes egressos dos hospitais psiquiátricos. METODOLOGIA Iniciamos o processo de conhecer os pacientes nos Hospitais de Salto de Pirapora, Vera Cruz e Vale das Hortênsias. A equipe realizou 3 visitas, sendo uma delas com o Médico Psiquiatra. O Projeto de implantação foi encaminhado ao SAIPS, e iniciou-se o processo de licitação, compra de móveis, equipamentos, e reforma do imóvel. Sem alternativas próprias de forma de contratação, o município iniciou chamamento público para contratação de empresas habilitadas nesse setor. O Centro de Assistência Social de Capão Bonito assume a responsabilidade de gerenciar a Residência Terapêutica de Apiaí em Janeiro 2018. Foram realizadas reuniões informativas com a Rede de Saúde, sobre a nova realidade, manejo, fluxo e procedimentos da residência, como processo “inclusivo”. A Residência Terapêutica, já pronta, iniciamos o processo de contratação e treinamento: 01 enfermeiro, 01 ASD, 01 cozinheira e 07 cuidadores, sendo no primeiro momento foi exigido como requisito para cuidador, ser profissional de enfermagem Tec. ou Aux. com prática, pois entendíamos que o processo inicial de adaptação seria difícil. Nos dias 15 e 16/02/2018 recebemos os primeiros moradores, do Hospital Vera Cruz (5 moradores), Salto de Pirapora (02 moradores) e Vale das Hortênsias (03 moradores). Os moradores apresentavam más condições clínicas, dentição comprometida, muitas limitações, pouca ou nenhuma independência, hiper medicalizados e vícios como: necessidades fisiológicas em qualquer local, ingestão de fezes e lixo, compulsão alimentar, ingestãomuito rápida dos alimentos, não gostavam SAÚDE MENTAL 10

de banho, troca de roupas, masturbação e hábitos sexuais bizarros. A adaptação foi complicada no início, havia conflitos diários entre os moradores, crises de agressividade e agitação. A equipe percebeu que essas crises ocorriam por falta de espaço na casa, as dependências do imóvel se mostraram pequena e inadequada. Enfrentamos muitos preconceitos, da sociedade, que alegavam “medo” e de profissionais da própria Rede. Emabril de 2018 foi locado outro imóvel, mais amplo e adequado a RT passou a ser um local agradável para os moradores, as crises de agitação diminuíram. Os cuidadores auxiliam, apoiam e acompanham os moradores em todas as atividades. Os moradores são estimulados diariamente a ter autonomia, sendo orientados e acompanhados nas tarefas de vida diária. Realizam atividades lúdicas, trabalhos manuais, atividades recreativas, passeios culturais, visando desenvolver autonomia, criatividade, melhora da autoestima e socialização e participam 2 a 3 vezes por semana de atividades de grupos no CAPS. São atendidos na Atenção básica com consultas médicas, exames complementares e assistência odontológica e no Hospital local quando necessitam de atendimento hospitalar. Os técnicos de enfermagem desempenham as tarefas de preparo e administração de medicação e cuidados gerais, alémde apoio aos moradores. A enfermeira supervisiona as atividades emgeral da Residência. A busca por familiares foi realizada pelo CAPS, através da Rede foram localizadas as famílias de 08 residentes, os 02 que ainda faltam, não residiam no município, o que torna a procura mais complexa. RESULTADOS Com o decorrer do tempo e ações baseadas no Projeto Terapêutico Singular os pacientes passaram a desenvolver fala e comunicação (há moradores com deficiência auditiva e Mental severa); Mudança de hábitos ruins como tirar as roupas, comer lixo, Coprofagia, fazer as necessidades fisiológicas em qualquer lugar, hábitos sexuais bizarros, masturbação, agressividade, e entre outros; Aceitar os comandos e orientações destinados a higiene; Respeitar melhor o espaço um do outro, gerando menos conflitos; Mudanças no padrão afetivo e psiquiátrico, houve diminuição das ocorrências de agressividade e impulsividade; A maioria dos moradores serve a própria refeição e comem mais devagar; Os banhos hoje são só supervisionados, e alguns auxiliam nas tarefas diárias da casa, exemplo: seca louça, varre, ajuda na lavagem CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando os resultados alcançados e a integração da equipe e moradores da RT com a rede de saúde municipal, a sensação de proporcionar qualidade de vida, independente da sua condição, principalmente quando se trata de “excluídos”, a recompensa para todos os envolvidos nessa rede de atenção é grandiosa. Reforma Psiquiátrica perpassa emprimeiro lugar pelo complexo entendimento do ser humano, em acreditar que somos únicos e capazes, independentes das nossas condições e que é nosso dever enquanto sociedade, entender as diferenças e trata-las de igual forma, diferentes, para que possamos nos apropriar da nossa existência com dignidade e respeito. Referências Bibliográficas SAÚDE MENTAL 11

O PAPEL DO PSICÓLOGO DO NASF-AB NO FORTALECIMENTO E ARTICULAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS) ATRAVÉS DE APOIO MATRICIAL E PLANO TERAPEUTICO SINGULAR EM ARAÇATUBA Autores: Mirela Barbosa dos Santos Silva Vieira, Vera Lúcia Saturnino de Souza, Rosicler Custódio Ferreira, Naiara da Silva Campos Albino Instituição: PREFEITURA MUNICIPAL DE ARAÇATUBA Município: Araçatuba CIR: Central Endereço: Rua Rio de Janeiro Telefone: 36361100 Celular: 997513070 Email: dstata@hotmail.com INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA A Política Nacional de Saúde Mental busca a implantação de ummodelo de atenção que garantam a livre circulação de indivíduos com sofrimento psíquico pelos serviços do município. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é um novo modelo de pensar a saúde mental, promovendo o acesso e direitos dos indivíduos ao convívio dentro da sociedade. A mesma deve articular ações e serviços de diversas complexidades, é composta por equipamentos variados e indica os pontos de atenção para as pessoas com problemas mentais. Independente das variadas características que compõem a rede, entende-se que o sujeito que as utiliza é integral, ou seja, um ser biopsicossocial e espiritual. Assim, é importante considerar que as conexões dessa rede devem acontecer a fim de desenvolver apoio integral ao indivíduo. O trabalho do psicólogo Nasf-AB é orientado pelo referencial teórico-metodológico do apoio matricial. Aplicado à Atenção Básica (AB), isso significa, em síntese, uma estratégia de organização do trabalho em saúde que acontece a partir da integração de equipes de Saúde da Família envolvidas na atenção às situações/problemas comuns de dado território. Essa integração deve se dar a partir das dificuldades ou dos limites das equipes de Atenção Básica diante das demandas e das necessidades de saúde, buscando contribuir para o aumento da capacidade de cuidado das equipes apoiadas e ampliar o escopo de ofertas das Unidades Básicas de Saúde. Como também, auxiliar a articulação de outros pontos de atenção da rede, quando isso for necessário, garantindo a continuidade do cuidado dos usuários. Esses objetivos do apoio matricial do Nasf-AB se materializam por meio do compartilhamento de problemas, da troca de saberes e práticas entre os diversos profissionais e da articulação pactuada de intervenções. Os psicólogos do Nasf-AB devem atuar conjuntamente a outras equipes especializadas de saúde mental do município, corresponsabilizando-se pelos casos e facilitando a integração com as Equipes de Saúde da Família. OBJETIVOS Promover articulação entre as unidades locais de saúde e os serviços de saúde mental do municipio, organizando o fluxo e o processo de trabalho, podendo o psicólogo do Nasf-AB atuar como mediador e facilitador dessa integração. METODOLOGIA O matriciamento ocorre através de reuniões mensais entre NASF e CAPS III e reuniões bimestrais com os CAPSi, CAPS AD e CEAPS, podendo ocorrer quando necessário intervenções pontuais. SAÚDE MENTAL 12

Durante as reuniões são discutidos os casos previamente identificados pelas equipes, realizado o diagnóstico das necessidades, elaborado propostas de intervenção (PTS), monitoramento e registrados em ATA. RESULTADOS Oprocesso de trabalho ampliou a visão dos Psicólogos e dos técnicos dos serviços de saúdemental, proporcionando a articulação entre as equipes e maior eficácia das ações. Portanto, os psicólogos do NASF-AB busca estreitar a relação através de reuniões de Matriciamento que proporcionam articular ações coletivas e contribuir de forma efetiva a resolutividade dos problemas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que o trabalho emrede está possibilitando uma reflexão sobre a pessoa comsofrimento mental e/ou consequente do uso de substâncias psicoativa, a importância da intervenção adequada e a organização de planos terapêuticos. Mediante a esses momentos de apoio matricial os profissionais ressaltam que as ações de saúde mental não podem ser resumidas apenas a medicalização e encaminhamentos. Contudo, permitiu-se através da troca de saberes em saúde mental encontrar novas possibilidades de intervenção, corresponsabilização e promoção de saúde e assistência integral. Referências Bibliográficas SAÚDE MENTAL 13

BATE BOLA DA HORA Autores: Silvana Aparecida de Araújo de Souza Silva, Valéria Maria da Silva, Vera Lúcia Ferraz D”all Piagi Instituição: Prefeitura do Município de Araraquara-SP - Prefeitura do Município de AraraquaraSP Município: Araraquara CIR: Central Endereço: Avenida Dom Pedro II Telefone: 33011700 Celular: 992068364 Email: gabinetesaude@araraquara.sp.gov.br INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA Este trabalho conta a experiência de umgrupo de futebol que vemsendo realizado voluntariamente desde 22/01/2019 na quadra poliesportiva “Antonio Moda Francisco”, localizada na Av. Padre Miguel Pocce, no Bairro Vale do Sol na cidade de Araraquara/SP, com adolescentes e crianças da região. A quadra onde é desenvolvido o grupo foi inaugurada em 2012 e por muito tempo serviu como ponto para tráfico de entorpecentes, abrigo para moradores de rua e acúmulo de lixo, encontrando-se absolutamente deteriorada e sem manutenção em geral. OBJETIVOS A idéia de criar o grupo “Bate Bola da Hora” teve como objetivo principal realizar atividades que contribuíssem para o desenvolvimento do bairro de uma forma geral, promovendo o desenvolvimento integral dos jovens que participam do grupo e da comunidade. Dentre os objetivos específicos do grupo destacamos: propiciar que crianças e adolescentes tivessem acesso ao esporte e ao lazer, crescessem saudáveis, com princípios e valores capazes de formar verdadeiros cidadãos; oferecer por meio de atividades e informações, oportunidades para que as crianças e adolescente se desenvolvessem pessoalmente, na vida familiar e comunitária; tornar a quadra útil, acolhedora, viável e segura buscando o resgate dos que frequentavam a quadra para práticas prejudiciais e moradia irregular. METODOLOGIA Foram formadas três turmas em dois dias da semana com a participação de um professor de Educação Física. Este profissional foi convidado pelas Agentes Comunitárias de Saúde da unidade de Saúde da Família Vale do Sol e foi cedido pela Secretaria de Esportes do município. O grupo atende uma média de 50 crianças e adolescentes, entre 05 e 17 anos, que gostam e tiveram interesse em participar das aulas de futebol. Atualmente são atendidos os bairros: Lupo I e II, Nova Araraquara, Acapulco, Vale do Sol, Jardim Estância das Rosas, Águas do Paiol, Igaçaba e São Bento. A atividade esportiva é realizada na quadra toda terça-feira e quinta-feira. Nestes dias é oferecido, além da atividade física coordenada, um “Bate Papo” descontraído. O objetivo do bate papo é criar vínculo com eles para abordar temas como bullying, álcool, drogas, sexualidade, relacionamento familiar, comunicação com os outros e demais temas do interesse das crianças e adolescentes. SAÚDE MENTAL 14

RESULTADOS As atividades esportivas têm impulsionado as crianças e adolescentes na mudança de comportamento tanto na quadra quanto em casa, melhora da disciplina geral e do relacionamento grupal. Observa-se que o grupo possui um bom vínculo o que facilita a atuação da equipe de saúde da família nas orientações e no cuidado integral em saúde. O grupo também vem propiciando uma melhor ocupação do tempo ocioso destas crianças e adolescentes que, inclusive, manifestam o desejo de ampliar o tempo e a freqüência do grupo “Bate Bola da Hora”. Percebemos ainda que o grupo tem promovido uma boa participação dos pais na vida das crianças, na sua educação e na comunidade de uma forma geral. O comércio local também tem apoiado o grupo oferecendo ajuda para um lanche semanal e bolo e suco para comemorarmos os aniversários do mês. Em uma atitude conjunta da unidade de saúde, pais, crianças e adolescentes e apoio de empresas da cidade, conseguimos comprar uniforme para o grupo. Por fim, percebemos uma melhoria no ambiente da quadra e arredores, além do distanciamento da ociosidade, promovendo um ambiente mais favorável para o desenvolvimento saudável da nossa comunidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Consideramos que as atividades têm gerado melhores práticas de vida na nossa comunidade, conduzindo crianças, adolescentes e suas famílias para práticas de vida mais saudáveis e contribuindo para o desenvolvimento da comunidade geral. O grupo Bate Bola da Hora motivou as meninas do bairro. Estas solicitaram a criação de um espaço para que pudessem usufruir também desta prática. As meninas começaram a freqüentar o grupo em setembro de 2019, o que nos revela a potencia deste trabalho. Juntos somos mais fortes! Referências Bibliográficas SAÚDE MENTAL 15

RODAS DE CONVERSA COMMULHERES: PROPOSTA DE APOIO EM SAÚDE MENTAL Autores: Viviane Cardoso Marques, Vera Lucia Cagnin Ciumini, Iramildes Souza Silva Instituição: Prefeitura do Município de Araraquara-SP Município: Araraquara CIR: Central Endereço: Avenida Dom Pedro II Telefone: 33011700 Celular: 992068364 Email: gabinetesaude@araraquara.sp.gov.br INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA Considera-se um dos grandes desafios da atenção básica, a construção de estratégias de enfretamento aos agravos à saúde na contemporaneidade, sobretudo àqueles que impactam fortemente os sistemas de cuidados, tornando premente formas mais práticas e menos onerosas de produzir saúde. Nesse sentido, as rodas de conversa são apontadas como uma tecnologia simples,para o cuidado em saúde, especialmente no contexto da saúde mental. OBJETIVOS Relatar a experiência da realização de rodas de conversa commulheres pertencentes ao território de atuação da equipe, para promover apoio em saúde mental. METODOLOGIA Relato de experiência envolvendo a iniciativa de duas agentes comunitárias de saúde (ACS) que identificaram em suas visitas domiciliares, grande número de mulheres, as quais comumente queixavam-se de tristeza, isolamento e, por vezes depressão, insônia,uso de ansiolíticos exacerbado, entre outras situações, agravadas por conflitos nas relações afetivas, envolvendo familiares e demais dificuldades do cotidiano. Diante disso, as ACS propuseram às mulheres, encontros quinzenais fora do ambiente da unidade, que promovessem um espaço de conversa, de maneira que estas pudessem vislumbrar outras perspectivas. RESULTADOS A partir da aceitação de algumas mulheres, as rodas de conversa iniciaram em área anexa a um bar, em seguida passaram a ocorrer nos domicílios, a convite das próprias mulheres; têm duração média de duas horas; nas primeiras rodas, elas falavam de suas experiências de vida e expectativas, as ACS e enfermeira ajudavam a organizar os momentos de fala; a partir do terceiro encontro, por sugestão delas, alguns profissionais passaram a ser convidados eventualmente, para direcionar temas específicos,dentre outros, autoestima, empoderamento feminino, autoconhecimento, sexualidade, violência contra a mulher resiliência; pactuou-se regras de convivência como respeito às manifestações individuais, garantia do espaço de fala, respeito ao ritmo de cada uma (algumas escutam mais e se posicionam menos), autovigilância para evitar conselhos e julgamentos, estas vêm sendo observadas, em especial, o sigilo, uma vez que o grupo é formado por vizinhas e demais moradoras do bairro; a adesão tem sido crescente; um lanche é oferecido pela anfitriã do dia, e também com recurso de “caixinha” da própria equipe, SAÚDE MENTAL 16

advindos de atividades como bazares e bingos; foi iniciado um grupo de caminhada, que acontece uma vez por semana com as mesmas.Os encontros têm objetivado:Privilegiar um momento para estas mulheres, a troca de experiências, o favorecimento de laços de amizade e permitir que elas ampliem suas redes de apoio, com consequente fortalecimento para o autocuidado. Isso tem se confirmado nos depoimentos delas. Outro aspecto a ser consideradotrata-sedoenfrentamento protagonizado pelos profissionais envolvidos, na direção de manejar as sensações de insegurança geradas nas rodas, ora pelas posições assumidas por alguns participantes, ora pelo receio de institucionalizar a fala e inibir a participação. CONSIDERAÇÕES FINAIS O espaço das rodas de conversa revelou-se como fecundo para construções coletivas, capazes de fortalecer vínculos terapêuticos, encorajar o partilhamento de sentimentos, desencadear nas pessoas, processos internos de mudanças,desvelar o sofrimento psíquico silenciado e estimular o protagonismo para melhoria das condições de saúde mental. Essa iniciativa tem ajudado à equipe a buscar novos olhares para o cuidado em saúde, bem como ampliar o leque de oferta de ações. A exemplo disso cita-se um almoço ocorrido na chácara de uma das mulheres participantes, com a presença de uma ACS de outro território de saúde, para realizar ginástica chinesa e uma viagem do grupo juntamente com membros da equipe, para um parque aquático, que acontecerá no início de dezembro/19. Recentemente, essa experiência foi apresentada no 2º encontro de Desinstitucionalização e Fortalecimento das RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) do Estado de São Paulo – um olhar para o cuidado e 1ª Mostra da RAPS de experiências exitosas dos municípios paulistas, premiado com menção honrosa. Observamos que nem todos os membros da equipe de saúde estão inicialmente dispostos a protagonizar esse movimento de mudança, mas gradativamente vem ocorrendo uma adesão. Referências Bibliográficas SAÚDE MENTAL 17

TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA PROMOVENDO A SAÚDE MENTAL ENTRE MULHERES DE ASSENTAMENTO Autores: Andréia Serrano Cayres Rapatão, Flávia Trovatti Marques, Leonilda de Fátima Souza Santos, Luciana Maria Sena, Maria Aparecida Alves da Silva Instituição: Prefeitura do Município de Araraquara-SP Município: Araraquara CIR: Central Endereço: Avenida Dom Pedro II Telefone: 33011700 Celular: 992068364 Email: gabinetesaude@araraquara.sp.gov.br INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA A Terapia Comunitária Integrativa faz parte das Terapias Integrativas e Complementares oferecidas pelo Sistema Único de Saúde. O criador desta terapêutica é o psiquiatra Adalberto Barreto, e de acordo com ele a terapia comunitária “é um espaço comunitário onde se procura partilhar experiências de vida e sabedorias de forma horizontal e circular.” (Barreto, 2008) Uma das características básicas desta atividade é um trabalho de saúde mental. Diante disto, a equipe de saúde da Unidade da Saúde da Família de Bueno, localizada no Distrito do município de Araraquara no estado de São Paulo, agregou está ação como parte da assistência à comunidade, visto que há grande demanda de usuárias em uso de antidepressivos e com difícil acesso a profissionais no nível secundário. E no território há muitas vulnerabilidades, como violência doméstica e alcoolismo, gerando conflitos familiares, baixa autoestima e muitas vezes sentemse desamparadas por viverem em área rural distante e não ter com quem dividir suas aflições diárias. Então acreditamos que oferecer a Terapia Comunitária poderá contribuir com o alívio da dor enfrentada pelas mulheres que vivem no assentamento. OBJETIVOS O objetivo principal foi promover a saúde mental no nível da atenção primária dos participantes. Dentre os objetivos secundários destacamos a promoção de um espaço de troca de experiência entre as mulheres, a valorização das mulheres que vivem no assentamento, e o fortalecimento do vínculo entre as mulheres e a equipe de saúde. METODOLOGIA A Unidade de Saúde da Família Bueno de Andrada está localizada no Distrito de Araraquara, é considerada uma unidade urbana, mas tem característica marcante por possuir três territórios rurais (Assentamento Horto de Bueno, Assentamento Monte Alegre 3 e 6). Devido a esta característica e a distribuição geográfica o processo de trabalho ocorre da seguinte maneira: no período na manhã a equipe vai até a Unidade no Distrito e se desloca cerca de 10 km até o Assentamento Monte Alegre 3, onde há uma unidade para prestar o atendimento a população que reside no Monte Alegre 3 e 6. No período vespertino a mesma equipe retorna para o Distrito para o atendimento a comunidade do Distrito e Assentamento Horto de Bueno. A Terapia Comunitária também chamada de roda de conversa é programada para ser realizada uma vez por mês no Assentamento Monte Alegre no período da manhã. Para concretização há necessidade de uma pessoa com formação na área. No caso a enfermeira da unidade é Terapeuta Comunitária. As SAÚDE MENTAL 18

mulheres que participam da terapia são encaminhadas pela médica da equipe e também através do convite feito pelas agentes comunitárias durante as visitas domiciliares. O local da realização da roda de conversa é diversificado: na própria unidade de saúde, quadra esportiva da escola local, ao ar livre, etc. O número de participante varia, mas há uma média de 25 mulheres por Terapia Comunitária. RESULTADOS O principal resultado vem através da participação das mulheres. Os relatos com conotações positivas e o pedido de não parar com a atividade. Durante os encontros é possível perceber que as mulheres apresentam seus sentimentos e valores culturais. E estes fazem parte da proposta da Terapia Comunitária. A dificuldade em ter acesso ao nível secundário, com profissionais da psicologia por exemplo, e a ausência de uma equipe de NASF, a terapia comunitária temmostrado potenciais dentro da própria equipe e comunidade que é possível promover a saúde mental na atenção primária. Por apresentar bons resultados a atividade será expandida para realizar com adolescentes na escola local. CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência em realizar a Terapia Comunitária Integrativa com mulheres e em Assentamento é gratificante para toda equipe, pois mesmo com dificuldades de acesso à outras instituições que promovem a saúde mental, foi possível perceber que podemos realizar a promoção à saúde mental na atenção básica. Esta é uma Prática Integrativa Complementar que dá oportunidade para que haja atenção as questões da mulher do campo. Atualmente a equipe é composto por: uma médica da família, uma enfermeira da família, duas técnicas de enfermagem, uma dentista, uma auxiliar da saúde bucal, duas agentes operacionais, uma agente administrativa e quatro agentes comunitárias. Para concretização da atividade há o empenho de toda equipe, mas em especial as agentes comunitárias por serem o elo com a comunidade. Referências Bibliográficas SAÚDE MENTAL 19

REORGANIZAÇÃO COLETIVA DA RAPS ATIBAIENSE Autores: Angela Yuri Koketsu, Cristina Themudo Lessa, Fernando Augusto Vaquero dos Santos, João Ricardo Garcia de Carvalho, Juliana Figueiredo de Oliveira, Silvia Maria de Campos Sirera, Tania Martins de Oliveira Instituição: MUNICIPIO DE ATIBAIA Município: Atibaia CIR: Bragança Endereço: Avenida da Saudade Telefone: 44142221 Celular: 996994871 Email: gestaosaude@atibaia.sp.gov.br INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA A RAPS Atibaiense sobrevivia com uma escassez de encontros de rede, com o único CAPS II Adulto isolado na periferia da cidade. Também havia um ambulatório de saúde mental na UBS central e profissionais dispersos por outras unidades. Em 01/02/19 realizamos o primeiro grande encontro da RAPS local, sediada na USF Cerejeiras, que inaugurou o renascimento da RAPS Atibaiense. Hoje estamos indo para o oitavo encontro, acontecem a cada dois meses, com a presença das redes intra e intersetorial. Assim como Amarante nos revela em “Lugares da Memória”(1), onde mapeia o trajeto da luta antimanicomial brasileira, vislumbramos reflexo dessa experiência em Atibaia, através das memórias dos encontros da RAPS, escritos que relatam impressões que vão além da ata de reunião: a memória faz uma ligação entre subjetivo, conhecimento e consciência(2). OBJETIVOS Promover encontros entre os trabalhadores da RAPS, como estratégia para o artesanal tecimento da rede e o fortalecimento de equipes e equipamentos. Fomentar solidariedade, criar espaço para o compartilhamento de saberes, projetos, experiências e necessidades, proporcionar apoio e produzir coesão, de modo que a RAPS local se consolide como política pública. Como sabemos, a organização e a participação ativa dos trabalhadores foram essenciais para a reforma psiquiátrica brasileira. Tal movimento, protagonizado por trabalhadores com consciência de sua atuação política, foi condensado de maneira importante por Amarante e Nunes em uma outra memória(3). METODOLOGIA As engrenagens mnemônicas deste organismo proposto pela RAPS Atibaiense processa algo muito interessante nos encontros: as memórias anteriores são lidas e verificamos quais foram as trajetórias que as equipes da rede teceram, seus pontos de parada, percalços e pneus furados, onde houve constelações harmônicas e produção de cuidado, quais encontros foram alegres ou tristes. RESULTADOS Uma faixa da memória do terceiro encontro projeta a imagem de um ensaio, além da percepção de que necessitávamos investir energia na composição de grupos e oficinas pela rede: “Experiência exitosa do grupo de Ansiedade do Portão (bairro), sejam bem vindos, uma estratégia para os casos moderados que ficam no limbo, ou seja, não conseguem ser inseridos no CAPS e também SAÚDE MENTAL 20

são complexos demais para a UBS ou USF que ainda não tem um grupo ou pessoas sensíveis ou que ainda não tiveram a oportunidade de se inclinarem para as questões de saúde mental. Essa é a hora! Ah no Portão tem dança, parceria com a coordenadoria da mulher!!! Promoção da Saúde!!! Propósito do SUS!! Portão por onde todos passam!!!!!”(4) Corroborando o exposto acima, no quarto encontro tivemos memórias da criação de mais atividades de promoção de saúde mental em outros territórios: “Trabalhar a criatividade, novas estratégias de cuidado, encontrar com colegas de outras unidades. Novos agenciamentos, está acontecendo um grupo de saúde mental fresquinho, acabou de sair no forno, lá no Tanque (bairro), opa. Parceria Nasf + básica. Agora vai, lavando a roupa, a caminhada também é Saúde. Tanque na onda!!! Olha o Imperial também tem grupo de Saúde Mental, tá quentinho igual aquele pão da padaria, cheiroso. Autonomia para as unidades e equipes, parcerias com a Academia, Universidade e resgatar a produção de Saber e ciência do próprio SUS. Somos cuidadores e pesquisadores, curiosos.”(5) CONSIDERAÇÕES FINAIS A trajetória local segue se desenhando. O Ambulatório de AD está sendo reestruturado: a equipe sendo ampliada, inicialmente atuando na UBS central, com o horizonte de se tornar CAPSad. O Ambulatório de saúde mental infanto-juvenil, em funcionamento há um ano, recebe novos profissionais e se transformará em CAPSi. O apoio matricial, deixando de ser ofertado pelo NASF, passará por reconfigurações e pode ser ampliado e sistematizado de modo a abranger todos os serviços de saúde, em suas funções de apoiadores matriciais ou equipes de referência. O CAPS, representante do paradigma antimanicomial, é o equipamento que tem recebido e articulado os encontros da RAPS. Referências Bibliográficas (1) Amarante, P. Lugares da Memória: causos, contos e crônicas sobre loucos e loucuras. São Paulo: Zagodoni, 2017. (2) Poiana, F. A. Débora Morato Pinto - Consciência e memória. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n.46, 2015. (3) Amarante, P.; Nunes, M. O. A reforma psiquiátrica no SUS e a luta por uma sociedade sem manicômios. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.23, n.6, 2018. (4) RAPS Atibaiense. Memória do terceiro encontro da RAPS Atibaiense. Atibaia, 2019. (5) RAPS Atibaiense. Memória do quarto encontro da RAPS Atibaiense. Atibaia, 2019. SAÚDE MENTAL 21

RkJQdWJsaXNoZXIy NjY5MDkx