ABHH em Revista #13/2024

#13 / 2024 Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) completa 15 anos em 2024 com uma trajetória repleta de avanços e conquistas anos de avanços Entrevista com o italiano Andrea Bacigalupo, palestrante da Conferência Magna do HEMO 2024 página 8 ABRE ASPAS ABHH lança a nova campanha “Cuidando do sangue: hematologia e hemoterapia para todos” página 26 NOVIDADE Conheça a trajetória profissional da Dra. Silvia Magalhães, presidente do HEMO 2024 página 28 PERFIL 15 15a n o s

Empenhados em solucionar necessidades médicas não atendidas, a Knight busca se consolidar também na área de hematologia. Material destinado para profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensar medicamentos. 1731/MJV/SET2024 TRANSFORMANDO A VIDA DE SEUS PACIENTES ATRAVÉS DA CIÊNCIA Nossos pacientes em 1º lugar C M Y CM MY CY CMY K GUTTA_AF1_ANÚNCIO_FOCO NO PACIENTE_INSTITUCIONAL_KNIGHT_240925.pdf 1 02/10/24 16:31 INFORME CORPORATIVO O conteúdo deste informe é de inteira responsabilidade da empresa e não representa necessariamente a opinião da ABHH.

sumário carta ao leitor p.4 | diretoria p.5 abre aspas p.8 capa p.12 Bate-papo com o hematologista italiano Andrea Bacigalupo, palestrante da Conferência Magna do HEMO 2024 Ex-presidentes da Associação comentam sobre os desafios na época da fusão e destacam as principais conquistas e avanços perfil p.28 Conheça a trajetória profissional da hematologista e professora Silvia Magalhães, presidente do HEMO 2024 giro ABHH p.32 ABHH marca presença na SOHO 2024 Annual Meeting abhh em ação p.26 ABHH lança campanha com o objetivo de valorizar a atuação de hematologistas e hemoterapeutas debate abhh p.22 Participação social em uma consulta pública é essencial no processo de avaliação de incorporações de novas tecnologias para o SUS e ANS 13 / 2024 ABHH em Revista 3

carta ao leitor 4 Nossa querida Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, a ABHH, completa 15 anos em 2024! É um momento singular de nossa trajetória! Neste tempo, a ABHH cresceu, evoluiu, prosperou e se tornou uma das sociedades médicas mais fortes não apenas no Brasil, mas no mundo. É uma conquista e tanto, e estamos muito contentes em celebrar sua fundação! Como deixou registrado o filósofo romano Sêneca: “o trabalho é o alimento das almas nobres”. Se hoje a ABHH é uma entidade organizada e robusta, é por causa do trabalho coletivo de inúmeros médicos hematologistas e hemoterapeutas espalhados pelo Brasil que, sendo parte da diretoria, membros de comitês e associados, trabalham incansavelmente pela ABHH. Nestes 15 anos, foram inúmeros os avanços conquistados pela ABHH. Esta edição traz uma reportagem de capa que aborda os desafios na fusão da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) com o Colégio Brasileiro de Hematologia (CBH), que originou a Associação, assim como traz os depoimentos de todos os ex-presidentes da ABHH. É um material histórico! O ano de 2024 também é especial por outro motivo: conseguimos aprovar a lei que criou o Dia Nacional do Hematologista e Hemoterapeuta, a ser comemorado no dia 29 de outubro, data da fusão. A inclusão desta data no calendário oficial, sobretudo no ano em que completamos 15 anos, coroa todo este trabalho. Trabalho este que só acontece pela dedicação das pessoas. Não há personalismos no trabalho associativo. Todos ajudam, todos apoiam, todos atuam, cada qual com sua expertise. As pessoas passam, mas a ABHH seguirá sempre firme e forte. Vida longa à nossa Associação! Os 15 anos de sucesso da ABHH Dr. Renato Sampaio Tavares e Dra. Vania Hungria Diretoria de Comunicação ISSN 2179-4855 ABHH em Revista é uma publicação da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) distribuída gratuitamente para seus associados. O conteúdo da publicação é de inteira responsabilidade de seus autores e não representa necessariamente a opinião da ABHH. JORNALISTA RESPONSÁVEL Roberto Souza (Mtb 11.408) EDITOR Madson de Moraes REPORTAGEM Danilo Gonçalves Roberto Souza Verônica Monteiro REVISÃO Joice Costa PROJETO EDITORIAL Madson de Moraes PROJETO GRÁFICO Leonardo Fial DESIGNERS Lucas Bellini Marcelo Cielo Rafael Bastos FOTO DE CAPA Getty Images CONTATO COMERCIAL Caroline Frigene RS HEALTH Rua Cayowaá, 228 – Perdizes São Paulo – SP – 05018-000 (11) 3875-6296 rspress@rspress.com.br www.agenciars.co ABHH Rua Dr. Diogo de Faria, 775, conj. 133 Vila Clementino São Paulo - SP (11) 2369-7767 / (11) 2338-6764 abhh@abhh.org.br www.abhh.org.br @abhhoficial ABHH em Revista 13 / 2024

DIRETORIA ABHH 2024-2025 Conheça os especialistas que integram a direção da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Glaciano Ribeiro Leny Nascimento da Motta Passos Carmino Antônio de Souza Eduardo Magalhães Rego Celso Arrais Edvan Crusoé José Francisco Comenalli Marques Júnior Violete Petitto Laforga Carlos Sérgio Chiattone Angelo Maiolino Roberto Passetto Falcão José Orlando Bordin Renato Sampaio Tavares Dante Langhi Júnior Dimas Tadeu Covas Vania Hungria Jorge Vaz Pinto Neto Silvia Maria Meira Magalhães Diretoria Administrativa Diretoria Científica Diretoria de Defesa Profissional Diretoria de Ações Sociais Diretoria Financeira Diretoria de Comunicação Diretoria de Relações Institucionais Diretor Científico Emérito Diretor de Orientação e Aconselhamento Presidente Vice-presidente 13 / 2024 ABHH em Revista 5

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13 / 2024 ABHH em Revista 7 O HEMO não é apenas um congresso científico. Ele é o encontro da ciência e das conexões. Confira a programação completa no QR Code abaixo e aproveite o HEMO 2024!

“Nunca pense que você está acima dos seus dados" ABHH em Revista 13 / 2024 8 abre aspas Palestrante da Conferência Magna do HEMO 2024, o hematologista, professor e pesquisador italiano Andrea Bacigalupo lembra o momento quando optou pela hematologia e oferece alguns conselhos para jovens pesquisadores Por Madson de Moraes

O ano de 2024 não será a primeira vez do hematologista, professor e pesquisador italiano Andrea Bacigalupo no Brasil. Uma das referências globais em transplante de medula óssea (TMO) e em CAR-T, Bacigalupo volta como palestrante da Conferência Magna do HEMO 2024, cujo tema será o “Transplante de Medula e Terapia Celular — da substituição da hematopoiese à imunoterapia”. Diretor por 25 anos do Centro de Hematologia e Transplantes de Células-Tronco do Hospital San Martino, em Gênova, e ex-presidente da European Bone Marrow Transplantation (EBMT), atualmente Bacigalupo é professor de Hematologia da Università Cattolica del Sacro Cuore, em Roma. O professor Bacigalupo, como é chamado por todos, começou a atuar com TMO a convite do médico e pesquisador italiano Alberto Marmont, seu grande mentor. Marmont, falecido em 2014, foi um dos primeiros a compreender, no começo dos anos 1970, que o transplante de medula óssea alogênico seria uma oportunidade fantástica para muitos pacientes. “Devo tudo da minha carreira profissional a ele”. Um dia, quando ele tinha 92 anos e depois de uma ótima palestra, o Reitor da Universidade perguntou: mas qual é o seu elixir de longa vida, professor Marmont? E ele disse: “Meu elixir de longa vida? Café da manhã com Andrea discutindo pacientes e pesquisa”, conta Bacigalupo, de 75 anos. No bate-papo a seguir, ele conta quando optou pela hematologia, fala da influência de Marmont em sua formação e dá algumas dicas para jovens pesquisadores. Você se formou em 1973. O que o levou a se interessar pela hematologia? Eu tinha voltado para a biologia celular no meu sexto ano de medicina porque estava mais interessado em células do que em cirurgia. Minha tese foi sobre o isolamento e caracterização de membranas celulares de células B e T no frango. Me formei em julho de 1973. A tese foi um grande sucesso, e meu professor, o imunologista Carlo Grossi, me disse: quero que você conheça um hematologista, Alberto Marmont. A razão, ele disse, é que a hematologia combina o seu interesse em biologia celular com a clínica e pacientes. Marmont era um hematologista brilhante, a quem tinha sido negada a cadeira de hematologia na universidade no início dos anos 1960. Ele então aceitou o cargo de chefe de hematologia no Hospital de Sampierdarena, nos arredores de Gênova, e estava indo muito bem com muitos pacientes e novos tratamentos. Então fui encontrá-lo, numa segunda-feira de manhã, no início de outubro: conheci um médico alto, bonito e sorridente, o professor Marmont, como eu o chamaria pelas próximas décadas. Fui com ele para as rondas, testemunhei a variedade de pacientes, de leucemia à insuficiência da medula óssea e às doenças autoimunes, mas, acima de tudo, tive acesso a seu conhecimento médico e comentários profundos. Ao meio-dia daquela segunda, eu não tinha dúvidas: eu queria me tornar um hematologista. Foi a partir desse contato que você começou sua trajetória em TMO? Sim! Após conhecê-lo naquela manhã de segunda-feira, fui bolsista em sua unidade até junho de 1974, quando ele se tornou chefe de hematologia no Hospital San Martino, o maior de Gênova. Então eu fui junto e, claro, fiquei de plantão na primeira noite na nova unidade (os jovens estão sempre de plantão). Construímos um bom programa, uma Unidade de Cuidados Diurnos, e tínhamos muitos pacientes com leucemia, linfoma e mieloma. Mas, um dia, em 1975, o professor Marmont me chamou em seu escritório e disse: amanhã de manhã você vai para a Basileia. E eu disse: para fazer o quê, professor? E ele: “um amigo meu, o professor Bruno Speck, está realizando um transplante de medula óssea (TMO) e eu quero que você vá e veja do que se trata. Acho que o TMO se tornará uma forma importante de terapia para muitos distúrbios hematológicos nos próximos anos”. Fui para a Basileia e fiquei animado para testemunhar um dos primeiros TMO na Europa (naqueles anos, realizávamos de 10 a 20 TMO por ano na Europa!). Também tive a sorte de conhecer o professor Speck e sua equipe, e minha enfermeira chefe teve a oportunidade de conhecer seus colegas no Kantonsspital Basel (nota do editor: hoje chamado Universitätsspital Basel). Alguma lembrança marcante desses anos de convivência com Marmont? Em 1976, fizemos nosso primeiro transplante de medula óssea em Gênova no Hospital San Martino, e o professor 13 / 2024 ABHH em Revista 9 Prof. Andrea recebendo o título de Membro Honorário do Grupo Europeu de Transplante de Sangue e Medula Óssea (EBMT na sigla em inglês), que presidiu de 1998 a 2002 Fotos: Acervo pessoal

Speck veio ficar conosco e iniciar nosso programa. O programa de transplante em Gênova se tornou o maior da Itália e um dos primeiros na Europa em termos de números. O professor Marmont era o chefe do programa e se tornou o presidente da European Bone Marrow Transplantation (EBMT) no início dos anos 1980. Ele continuou a inspirar nosso programa até se aposentar aos 70 anos, em 1989, e então eu me tornei chefe da Unidade, e o professor Marmont ficou no escritório em frente ao meu pelos próximos 25 anos, sim, 25, sempre contribuindo com profundos insights, ideias e escolhas terapêuticas para o nosso programa. Devo tudo da minha carreira profissional a ele. Um dia, quando ele tinha 92 anos, e depois de uma ótima palestra, o Reitor da universidade perguntou: mas qual é o seu elixir de longa vida, professor? E ele disse: “Meu elixir de longa vida? Café da manhã com Andrea discutindo os pacientes e a pesquisa”. Na sua opinião, quais são as transformações mais significativas que a Hematologia sofreu desde a década de 1970 até o presente? No início dos anos 1970, não tínhamos tratamento eficaz para a maioria dos distúrbios. Todos os pacientes adultos com leucemia morriam, o mesmo para leucemia mieloide crônica. Não tínhamos tratamento eficaz para mieloma, linfoma ou leucemia linfocítica crônica. Era viver em um universo diferente. Nos anos 2020, temos anticorpos monoclonais, anticorpos biespecíficos, terapia direcionada, transplantes de células-tronco, terapia celular projetada. É uma oportunidade diferente e emocionante para nossos pacientes e para o jovem hematologista. De quais realizações pessoais você mais se orgulha? Reduzir a incidência da doença de enxerto contra hospedeiro (DECH) e tratar essa complicação tem sido o foco da minha pesquisa desde meus primeiros dias no transplante. Concluímos e publicamos vários ensaios clínicos, tanto para tratamento quanto para profilaxia. Talvez o primeiro estudo mostrando, em um estudo prospectivo, que a adição de globulina antitimocitária reduz a DECH aguda, mas principalmente a crônica. Um dos nossos últimos estudos prospectivos (2017) mostrou que não há benefício no tratamento com esteroides de DECH aguda de grau I, e os pacientes devem ser deixados sem tratamento. Você veio ao Brasil inúmeras vezes para participar de eventos científicos. Qual é a sua lembrança mais marcante? Minhas viagens ao Brasil foram todas emocionantes e cheias de amizade. Conheci os hematologistas Angelo Maiolino e Carmino de Souza quando eles ficaram em Gênova, em nossa unidade em San Martino. Continuamos a nos ver na Itália e no Brasil. A Associação Ítalo-Brasileira de Hematologia foi fundamental para organizar grandes reuniões e manter nossa cooperação ativa nas últimas três décadas! Com Carmino e seus filhos também fizemos uma viagem fantástica ao Pantanal! O Brasil é um país lindo! Sua palestra no HEMO 2024 será sobre o empolgante campo da terapia celular. Por que você escolheu esse tópico? Os tópicos são aqueles que refletem as atuais áreas de pesquisa no campo do transplante e terapia celular. Isso inclui transplante alogênico e autólogo e terapia com células CAR-T. Pediram-me para dar a perspectiva do Gruppo Italiano Trapianto Midollo Osseo sobre esses dois tópicos importantes. Além disso, falarei sobre anemia aplástica adquirida, uma doença rara, que nos permitiu entender as interações entre células-tronco hematopoiéticas e o sistema imunológico, com novas opções terapêuticas. Você publicou mais de 500 artigos. Qual é o segredo para uma produção científica tão vasta? Eu usaria as palavras de um grande cientista australiano, Don Metcalf [nota do editor: o Professor Metcalf é considerado o pai da hematologia moderna], que descobriu os fatores estimulantes de colônias (CSFs), os hormônios que impulsionam os glóbulos brancos que combatem infecções no corpo. Ele disse que o segredo é baseado em três regras: 10 horas por dia no microscópio (você pode dizer a unidade clínica, se for um clínico); a devoção aos dados primários (resista a especulações, pois elas são castelos de cartas); e a motivação ao longo da vida (mal posso esperar para começar a trabalhar e abrir a incubadora). Então os jovens precisam saber: muito trabalho duro, nunca pense que você está acima dos seus dados e aproveite a motivação ao longo da vida. Você precisa amar isso — a paixão é o segredo! ABHH em Revista 13 / 2024 10 Andrea (em pé de chapéu preto) durante viagem ao Pantanal realizada com amigos no Brasil

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15 ANOS DA ABHH União e conquistas marcam os 15 anos da ABHH, criada a partir da fusão da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia com o Colégio Brasileiro de Hematologia. Ex-presidentes da Associação comentam sobre os desafios na época da fusão e destacam as principais conquistas e avanços Por Roberto Souza ABHH em Revista 13 / 2024 12 Fotos Comunicação/ABHH

O ano de 2009 será sempre lembrado como um marco na história da hematologia e hemoterapia do país. Foi nele que a Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH) iniciou sua história, resultado da fusão da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) com o Colégio Brasileiro de Hematologia (CBH), ocorrida no final de 2008. Na época, o objetivo de constituir uma única sociedade médica era alavancar e dar rumos mais rápidos ao futuro da hematologia e hemoterapia no Brasil. O resultado deu certo. Ao longo desses 15 anos, a ABHH tem se destacado não apenas pelo aumento expressivo do número de sócios, mas também pela grandiosidade de seus simpósios, cursos e eventos científicos, além do seu consagrado Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, o HEMO, que atrai milhares de participantes e se tornou referência no cenário científico global. Na questão administrativa, a profissionalização da gestão da ABHH permitiu uma atuação mais estratégica em diversas frentes, desde a participação ativa em políticas públicas até a incorporação de tecnologias inovadoras que têm impactado diretamente a prática clínica e o tratamento dos pacientes. Já a presença internacional da hematologia brasileira se consolidou com a criação da ABHH, que estabeleceu parcerias estratégicas e promoveu eventos científicos ao lado de sociedades médicas como a American Society of Hematology (ASH), a European Hematology Association (EHA), a Society of Hematologic Oncology (SOHO), Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH), International Society of Blood Transfusion (ISBT), International Myeloma Society (IMS), Myelodysplastic Syndromes Foundation e Associazione Italo Brasiliana di Ematologia (AIBE). Outro avanço nesta área foi a internacionalização da revista científica, a Hematology, Transfusion and Cell Therapy (HTCT), periódico hoje disponível nas mais importantes bases de dados como Scielo, PubMed e Web of Science e que, em 2023, conquistou seu primeiro fator de impacto (2.1). Graças ao trabalho dos seus 25 Comitês Técnico-Científicos, formados por médicos e pesquisadores referências no Brasil e no mundo, a ABHH produziu consensos, diretrizes e documentos com posicionamentos e recomendações, visando sempre o melhor para os pacientes que representa. Para isso, procura manter um diálogo aberto e voz ativa com players da indústria farmacêutica e com órgãos governamentais como o Ministério da Saúde, ANVISA, CONITEC e ANS, por exemplo. Mas, antes de resgatarmos como a ABHH foi criada, é importante dizer que a Associação também foi feita, direta e indiretamente, por médicos e médicas de diferentes gerações do passado, especialistas pioneiros em hematologia e hemoterapia no país e que participaram ativamente da SBHH e do CBH. São nomes como Michel Jamra, Osvaldo Mellone, Luiz Murat, Darcy de Lima, Halley Pacheco de Oliveira, Pedro Clóvis Junqueira, Marcello Pio da Silva, Therezinha Verrastro e Hildebrando Marinho, entre outras pessoas que tiveram sua importância na história da especialidade, como por exemplo outros profissionais de saúde ligados à especialidade, que trouxeram multidisciplinaridade e estimularam a pluralidade da Associação. Como tudo começou Em outubro de 2008, após 45 anos separadas, a SBHH e CBH se reuniram cada uma para discutir e deliberar sobre a proposta de fusão de acordo com o previsto no “Projeto do Ato Constitutivo da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia”. Aquele seria um ano histórico! Em outubro daquele ano, a SBHH realizou sua Assembleia Geral Extraordinária no Hemocentro da Santa Casa de São Paulo onde, por unanimidade, os membros decidiram a favor da união com o CBH para a formação de uma entidade única em defesa da especialidade. 13 / 2024 ABHH em Revista 13 Primeiro estande oficial da ABHH no HEMO 2008, data em que foi criada a Associação

Na ocasião, o presidente da SBHH era o Dr. Carlos Chiattone, que viria a se tornar o primeiro presidente da recém-criada ABHH. Ele lembra que aquela decisão representou a vontade de todos os hematologistas e hemoterapeutas, além de destacar os benefícios científicos, sociais e culturais da fusão. “A sensação é de dever cumprido e de extrema realização profissional. Este é, sem dúvida, o momento mais importante da SBHH. Se vamos deixar alguma marca, indiscutivelmente, será a concretização da fusão das duas entidades”, afirmou o Dr. Chiattone à edição da HEMO em Revista, publicação da ABHH na época. Um dia antes, o CBH também se reuniu em assembleia em que a votação também a favor da criação da ABHH também foi unânime. Além do presidente do Colégio, Dr. José Orlando Bordin (que se tornaria vice- -presidente da Associação na primeira gestão), participaram membros da diretoria e alguns dos sócio-fundadores da entidade que deliberaram a favor da unificação. “A SBHH e o CBH sempre tiveram como interesse e objetivo máximo o profissional e o paciente”, declarou Bordin também na época da fusão. O desejo de união das entidades era antigo, como registrou o Prof. Dr. Roberto Passetto Falcão na Assembleia da SBHH. Ele fez referência ao ano de 1999, momento em que ele e o então diretor administrativo da SBHH, Dr. Dante Langhi Jr., questionaram o porquê de não se unirem. Segundo o que Passetto disse, e que ficou registrado na época, foi um longo período de gestação do processo de fusão até as entidades passarem a fazer congressos juntos, o que desencadeou um crescimento excepcional no número de participantes nos eventos. Diretor de Comunicação da Sociedade, o Dr. João Carlos Pina Saraiva ressaltou na reportagem da HEMO em Revista que a fusão nada mais era que o desejo de todos os hematologistas e hemoterapeutas do Brasil. “Hoje as expectativas se modificaram e os desafios são maiores. As especialidades necessitam de uma maior atuação corporativa, acadêmica e de uma instituição forte. A ABHH vai responder a estas expectativas”, afirmou na época. O então diretor científico da SBHH, Dr. Carmino Antônio de Souza, destacou que a fusão foi a decisão mais do que acertada. “É histórica para a hematologia e hemoterapia brasileira”, disse em matéria publicada naquela época. Fusão foi fundamental O ano de 2009 marcou o início oficial das atividades da ABHH. Por meio de sorteio, a SBHH ficou responsável pela gestão do primeiro período até junho de 2009 e o CBH, pelo segundo período até a posse. Em novembro, durante uma reunião entre as duas entidades no HEMO 2008, em São Paulo, ficou definida a composição da primeira Diretoria Executiva da ABHH, e o primeiro presidente escolhido foi o Dr. Carlos Chiattone, que classifica a fusão como algo inédito. “Aquela fusão foi um fato inédito. E, como todos vocês sabem, o resultado foi altamente positivo, com a construção de uma associação forte. Muitos foram os desafios. Evidentemente, nós tínhamos duas sociedades com pessoas com pleitos diferentes. O mais importante ABHH em Revista 13 / 2024 14 capa Registro da abertura do HEMO 2009 quando o Dr. Carmino Antônio de Souza foi empossado como primeiro presidente eleito da ABHH

foram as longas e inúmeras reuniões feitas para que se discutisse e se chegasse a um acordo de como fazer a fusão, mantendo as tradições de cada uma das sociedades, com seus membros mais relevantes passando a fazer parte dessa nova associação. Acho que o maior desafio foi a conversa, e foi com essa conversa que a confiança se deu entre as partes, permitindo que fizéssemos esse marco indiscutível na hematologia e hemoterapia brasileira”, afirma o Dr. Chiattone. Tempo de maturação Segundo o presidente da ABHH de 2010 a 2013 e o primeiro escolhido por eleição, o Dr. Carmino classifica como histórica a criação da Associação e lembra que a fusão entre SBHH e CBH foi um longo período de maturação. “É preciso entender que a SBHH foi fundada em 1950. Ela é mais velha do que a Sociedade Americana de Hematologia, por exemplo. Já o CBH foi fundado em 1965, uma entidade que no ano que vem completaria 60 anos. Então, as duas entidades já eram bastante tradicionais e realizavam as suas atividades de educação, ciência e extensão de maneira sistemática”, contextualiza. Os congressos de ambas as entidades eram alternados para não haver uma competição que pudesse prejudicar uma à outra e, neste aspecto, acrescenta, havia uma aproximação porque uma entidade não queria criar dificuldade para a outra. “Os diretores da época entenderam que era o momento de fazer uma transição e, durante alguns anos, todos os eventos e acontecimentos eram feitos em conjunto. Até que veio a necessidade de fazer a fusão de maneira definitiva, com a criação de uma entidade nova”, lembra o Dr. Carmino. “Houve uma primeira diretoria de transição em que os dois presidentes da SBHH e CBH se alternaram no primeiro ano como presidentes da ABHH, e eu tive a honra de ser o primeiro presidente eleito da Associação. Isso foi extremamente importante. Daí para frente, a nossa história só foi crescendo, melhorando e hoje, 15 anos depois, podemos dizer que a fusão foi absolutamente acertada”, frisa. Aquela fusão histórica, acrescenta o Dr. Carmino, teve enormes reflexos positivos nesses 15 anos. “Reflexos positivos em relação à própria entidade em si, mas principalmente por toda a prestação de serviço que ela faz aos nossos especialistas, a todos os profissionais de saúde que trabalham na área de hematologia, hemoterapia e terapia celular, aos poderes públicos, fornecendo informações atualizadas e responsáveis no sentido de que a gente avance dentro da hematologia e muito importante, claro, aos nossos pacientes. A ABHH tem sido uma entidade parceira da sociedade acima de tudo”, enfatiza. 13 / 2024 ABHH em Revista 15 Dra. Clarisse Lobo, membro da ABHH e a primeira mulher a presidir uma edição do HEMO Encontro da Associação Ítalo-Brasileira de Hematologia (AIBE) realizado durante o HEMO 2011. AIBE e ABHH possuem uma ligação afetiva e histórica

ABHH em Revista 13 / 2024 16 Início das atividades da ABHH após a fusão da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) com o Colégio Brasileiro de Hematologia (CBH) Realização da primeira edição do Brazilian Lymphoma Conference ABHH decide investir na internacionalização da sua revista científica, a Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (RBHH) Incorporação do termo Terapia Celular ao nome oficial da ABHH para fortalecer a união da especialidade Criação do HEMO.educa, plataforma de EAD aos associados Desenvolvimento do Plano Estratégico da ABHH, que colocou a Associação no caminho da modernização administrativa Oficialização do Programa de Acreditação AABB/ABHH, pioneiro no Brasil ABHH conquista estande exclusivo na área de exposições do congresso da ASH, tornando o Brasil o primeiro país a ser contemplado com este espaço Teste NAT se torna obrigatório nos bancos de sangue, uma das lutas da ABHH durante 10 anos Realização da 1° atividade em conjunto com o ISBT durante o HEMO, dando início a parceria ABHH inicia processo de gestão integrada a partir da implementação do planejamento estratégico da Associação Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia passa a se chamar Hematology, Transfusion and Cell Therapy (HTCT) 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2017 Avanços e conquistas marcantes dos 15 anos da ABHH

13 / 2024 ABHH em Revista 17 Criação do Comitê de Acesso a Medicamentos, ampliando a voz no registro e incorporação de novas drogas na saúde pública e privada Parceria estabelecida com a European Hematology Association (EHA) ABHH cria os Programas de Residência Médica e Sangue Jovem, apoiando residentes e acadêmicos de medicina Realização da primeira edição do Simpósio Terapias Avançadas Células e Genes (TACG) Lançamento da nova ABHH em Revista, substituindo a antiga HEMO em Revista Realização do Congresso HEMO Play no formato virtual Lançamento do Programa Um Só Sangue, projeto de incentivo à doação de sangue no Brasil Divulgação do Consenso Brasileiro de Células Geneticamente Modificadas ABHH apresenta seu primeiro Código de Conduta e Ética Lançamento do HEMO Play, podcast da ABHH Lançamento do Programa Equidade ABHH, um marco na história das sociedades de especialidades médicas no País Primeira edição da Corrida e Caminhada Um Só Sangue em prol da causa da doação de sangue Realização do 1° Highlights do EHA durante o HEMO Conquista do primeiro fator de impacto da revista científica HTCT ABHH promove o Encontro Nacional da Hemorrede Pública e Privada com foco em Hemoderivados Dia Nacional do Hematologista e Hemoterapeuta agora é lei e data será comemorada no dia 29 de outubro, data da criação da ABHH ABHH inicia campanha “Cuidando do Sangue: Hematologia e Hemoterapia para todos”, que busca maior diálogo com outras especialidades ABHH traz pela primeira vez o Congresso Internacional da International Myeloma Society (IMS) para o Brasil 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024

Progresso e evolução Presidente da ABHH de 2014 a 2017, o Dr. Dimas Tadeu Covas ressalta que a Associação é hoje estruturada, sólida e importante no cenário nacional e internacional. “Estabelecemos parcerias com entidades congêneres no mundo inteiro. Evoluímos substancialmente no aspecto da gestão, que é absolutamente profissionalizada, com eventos de alto nível em termos de qualidade científica e organizacional. Nossos resultados são números extremamente positivos na área da gestão financeira, na área de associados, de títulos de especialistas expedidos e de participantes de eventos. Ela é hoje um exemplo de associação médica. São poucas as entidades médicas que têm a organização da ABHH.” “A ABHH é uma entidade com uma gestão moderna e internacionalizada, absolutamente protagonista em todas as frentes em que atua”, destaca o Dr. Dante Langhi Jr, que presidiu a Associação de 2018 a 2021. Ele foi um dos principais articuladores na época pela fusão da SBHH com o CBH. “Não só participei como fui o articulador da fusão junto com o Prof. Roberto Passetto Falcão. O grande desafio na época era sensibilizar as pessoas dos dois lados da importância de termos uma sociedade única e que unisse todas as forças possíveis. O ponto alto da ABHH nestes 15 anos foi exatamente isso: agregar o que existia de melhor de massa crítica na hematologia e na hemoterapia brasileira”, afirma. “Que nós possamos fazer a ABHH crescer ainda mais com a união de todos.” Para o presidente da ABHH de 2022 a 2023, Dr. José Francisco Comenalli Marques Júnior, foram vários os momentos (esta reportagem traz uma timeline com os principais marcos dos 15 anos da entidade) que marcaram a ABHH desde a fusão. “Foi um caminho sem volta para uma atuação social além da científica, mas não deixando de considerar as ações científicas como o objetivo primordial como sociedade médica”, pontua. Entre estes momentos marcantes, o ex-presidente destaca a realização do 1º Fórum de Acesso, em 2018, que marcou uma sequência de eventos, ações e projetos impactantes para levar aos pacientes tratamentos mais adequados e eficientes. “A aproximação com a European Hematology Association (EHA) também merece destaque, uma vez que propiciou uma aproximação das duas sociedades com as comunidades europeia e brasileira, frutificando vários projetos colaborativos e o intercâmbio de informações e eventos nos congressos anuais. E não poderia de considerar menos importante a criação do Comitê de Equidade e a posterior criação da Diretoria de Ações Sociais, albergando o acesso e a equidade, reforçando ainda mais o papel social da ABHH”, afirma. O Dia Nacional do Hematologista e Hemoterapeuta Um momento que veio coroar os 15 anos da ABHH este ano foi a promulgação, no final de 2023, do Dia Nacional do Hematologista e Hemoterapeuta, celebrado no dia 29 ABHH em Revista 13 / 2024 18 capa Auditórios lotados são uma marca em todas as edições do HEMO. Registro do Congresso de 2016

de outubro. A data é uma referência à fusão da SBHH com o CBH. O Dr. Comenalli lembra que o caminho foi longo até a data efetivamente sair do papel. “O reconhecimento por meio de projeto de lei aprovado pelos órgãos oficiais remete à seriedade com que a ABHH trata seus assuntos, sempre pautados nas regras e ritos governamentais e respaldados jurídica e politicamente em todas as suas ações”, afirma. Atual presidente da ABHH, o Dr. Angelo Maiolino sente que a união das duas sociedades tornou a Associação uma das mais fortes e representativas sociedades médicas que existem no país. “Isso é reconhecido pelas outras sociedades e por todos os parceiros. “A ABHH hoje é uma sociedade forte, tem vários pilares que a representam, o científico, o associativo e o social, uma criação mais interessante em que trabalhamos pela equidade e pelo acesso a medicamentos e tecnologias. A criação desses pilares e dessa força que representa a ABHH a tornou, sim, uma das sociedades mais fortes do país.” Todas as gestões que conduziram a Associação ao longo destes 15 anos, enfatiza o Dr. Carmino, sempre ocorreram dentro de um ambiente extremamente democrático. “No sentido de que as diferenças são respeitadas, discutidas e as decisões tomadas são sempre as de caráter institucional e que possam ser melhores e mais adequadas à nossa comunidade, aos nossos associados e principalmente à nossa sociedade”, completa o hematologista. 13 / 2024 ABHH em Revista 19 Por causa do distanciamento social causado pela pandemia de Covid-19, ABHH inovou com a realização do HEMO Play no formato online Realização da primeira edição da Corrida Um Só Sangue, em São Paulo, focado em engajar a população em prol da causa da doação de sangue no país Campanha da ABHH durante o HEMO 2013 pela obrigatoriedade do teste NAT nos serviços público e privado de saúde

ABHH em Revista 13 / 2024 20 capa 5.032 associados 2.774 são médicos e 807 outros profissionais de saúde 202 instituições de saúde são associadas à ABHH 379 residentes e 870 estudantes são sócios 85 ligas acadêmicas associadas 1.608 médicos titulados 50 membros no Conselho Deliberativo 23 comitês assessores 52 instituições cadastradas no Programa de Apoio à Residência Médica + de 400 artigos/ano publicados na HTCT 28 Diretrizes publicadas 11 Artigos de Consenso publicados Mais de 20 instituições acreditadas Mais de 1.300 aulas e cursos disponíveis na HEMOTECA e HEMO. educa Mais de 5 mil acessos e quase 100 episódios gravados no HEMO PLAY Podcast Cerca de 40 mil seguidores nas mídias sociais Associe-se e faça parte da ABHH Números gerais da ABHH

13 / 2024 ABHH em Revista 21 C M Y CM MY CY CMY K INFORME CORPORATIVO O conteúdo deste informe é de inteira responsabilidade da empresa e não representa necessariamente a opinião da ABHH.

ABHH em Revista 13 / 2024 22 debate ABHH IMPORTANTE A consulta pública é uma etapa obrigatória em todo processo de avaliação de incorporações de novas tecnologias para o SUS e para o Rol da ANS. E a participação social é fundamental Por Diego Freire SUA VOZ É Getty Images

13 / 2024 ABHH em Revista 23 E ntre a chegada de novas terapias para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ou de planos de saúde, o brasileiro conta com um importante recurso para que sua voz seja ouvida: a consulta pública. Ferramenta de participação social que promove o diálogo entre a administração pública e o cidadão, as consultas recebem contribuições da sociedade sobre a incorporação de novas tecnologias como medicamentos, procedimentos e equipamentos. Elas são abertas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ou pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e qualquer pessoa pode contribuir com sugestões. Na Conitec, as consultas públicas são realizadas como parte do processo de avaliação de tecnologias em saúde (ATS), processo que analisa as evidências científicas sobre eficácia, efetividade, segurança e custo-efetividade do que está sendo proposto ao SUS. Após análises preliminares do pedido, é aberta a consulta pública para receber as contribuições da sociedade, que são analisadas pela Conitec. Na sequência, a comissão elabora um relatório com recomendações para apreciação do Ministério da Saúde, que toma a decisão final sobre a incorporação da tecnologia no SUS. Já na ANS, as consultas públicas são realizadas para incluir novas tecnologias no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde e o processo é semelhante. Ele começa com a avaliação de um pedido de inclusão feito pelo desenvolvedor da nova terapia ou por entidades representativas. Após a avaliação do pedido, a ANS abre uma consulta pública para receber as contribuições da sociedade civil. Um relatório com essas recomendações da agência é elaborado e submetido à apreciação da Diretoria Colegiada da ANS, que toma a decisão final sobre a inclusão da tecnologia no Rol, uma lista de tudo o que deve ser oferecido pelos planos de saúde aos seus pacientes. PASSO A PASSO PARA A INCORPORAÇÃO DE UMA NOVA TECNOLOGIA EM SAÚDE NO BRASIL Saiba como se cadastrar no site gov.br para contribuir em consultas públicas 1 2 3 4 5 Pesquisa e desenvolvimento conduzidos por uma indústria farmacêutica. Realização de pesquisa clínica em pacientes para comprovar a eficácia da nova tecnologia. Registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Precificação da nova tecnologia pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Incorporação ao SUS e/ou ANS, se aplicável. Fonte: Guia sobre o processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) e a importância da participação social, da Janssen.

ABHH em Revista 13 / 2024 24 Ferramenta democrática A consulta pública é obrigatória em todo processo de avaliação de incorporações ao SUS e ao Rol da ANS e deve durar 20 dias, podendo chegar a 10 em casos excepcionais. Se, ao fim do processo de avaliação das submissões pela ANS e pela Conitec, o participante julgar que sua contribuição não foi devidamente considerada ou discordar da decisão, ainda é possível recorrer, dentro do prazo estabelecido por cada órgão. “A participação da sociedade nas consultas públicas em saúde é fundamental para garantir que as decisões sobre a incorporação de novas tecnologias sejam tomadas de forma transparente e democrática, ajudando a esclarecer os benefícios e riscos de um medicamento, bem como a considerar os impactos econômicos e sociais de sua incorporação", explica o vice-diretor de Comunicação da ABHH e membro do Comitê de Acesso a Medicamentos, Dr. Jorge Vaz Neto. "Em diferentes frentes de atuação, a ABHH encoraja e orienta a população a se manifestar e não abrir mão desse direito", acrescenta. Coordenador dos Comitês Técnicos-Científicos da entidade, o Dr. Carmino Antônio de Souza ressalta que a ABHH atua como uma verdadeira procuradora do profissional médico. “Muitas vezes ele tem conhecimento da existência de terapias com maiores chances de sucesso, mas fica impossibilitado de prescrevê-las ao seu paciente pela dificuldade de acesso pelo SUS e pelos planos de saúde”, afirma. debate ABHH Acesse este guia para conhecer todas as etapas na incorporação de uma nova tecnologia em saúde 2018 • Treinamento de Acesso a Medicamentos • Criação do Comitê de Acesso a Medicamentos 2019 • Realização do I Fórum sobre Disponibilidade de Acesso • Mais de 70 demandas de incorporações recebidas pela ABHH • 9 submissões incorporadas na ANS • 1 submissão incorporada na Conitec 2020 • 9 incorporações feitas para a ANS • 6 endossos elaborados para a Anvisa 2021 • 1 endosso elaborado para a Anvisa • 1 submissão não incorporada na Conitec 2022 • Criação do Programa Equidade ABHH • Aprovação do Blinatomumabe pela Conitec • 8 submissões e 3 incorporações na Conitec • 2 endossos, 4 submissões e 4 incorporações na ANS 2023 • Construção de lista de medicamentos essenciais pelos Comitês da ABHH (essencialidade) • 7 endossos, sendo 1 incorporado e 2 com Consultas Públicas da ANS em andamento • 3 submissões na Conitec, sendo 2 em andamento e 1 não incorporada • 1 endosso e 1 submissão na ANS não incorporada Os dados em andamento podem ser alterados. ATUAÇÃO DA ABHH NA INCORPORAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS EM SAÚDE

13 / 2024 ABHH em Revista 25 São cerca de 700 profissionais, muitos deles capacitados nas unidades dos parceiros transferidores de tecnologia no exterior, fortalecendo a promoção da Ciência, da Tecnologia e da Inovação no Nordeste do Brasil. Somos uma empresa lucrativa, que repassou mais de R$ 120 milhões em dividendos operacionais ao Tesouro Nacional nos últimos dois anos, e que trabalha a ampliação do portfólio de medicamentos. Somos a Hemobrás, uma indústria de medicamentos estratégica para o Brasil. SE TRANSFORMA EM MEDICAMENTOS DE SANGUE SUA DOAÇÃO Nosso parque fabril, localizado em Goiana-PE, possui linhas de medicamentos hemoderivados (produzidos a partir do plasma humano captado nas doações de sangue) e recombinantes (através da biotecnologia) que abastecem o SUS. INFORME CORPORATIVO O conteúdo deste informe é de inteira responsabilidade da empresa e não representa necessariamente a opinião da ABHH.

ABHH em Revista 13 / 2024 26 abhh em ação ABHH lança campanha “Cuidando do sangue: hematologia e hemoterapia para todos” com objetivo de valorizar a atuação de hematologistas e hemoterapeutas Da Redação D urante o HEMO 2024, a ABHH lança a campanha “Cuidando do sangue: hematologia e hemoterapia para todos”, cujo propósito principal é fortalecer a atuação dos profissionais que atuam nas áreas da Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Por meio de uma abordagem esclarecedora, construtiva e colaborativa, a nova campanha da ABHH visa promover a conexão entre as mais diversas áreas da Saúde, com o entendimento que o trabalho realizado em conjunto fortalece o atendimento do paciente, que está no centro do olhar médico. A nova campanha da ABHH terá ações programadas para ocorrer ao longo de todo o ano de 2025 que incluem a divulgação de conteúdo científico e jornalístico nos canais institucionais e de parceiros, a promoção de encontros e debates com sociedades de especialidades médicas, o lançamento do vídeo oficial da campanha, entre outras ações de comunicação. FORTALECER E DIALOGAR

H g d n p c Afi r v c o n 13 / 2024 ABHH em Revista 27 A nova campanha da ABHH terá ações programadas para ocorrer ao longo de todo o ano de 2025 que incluem a divulgação de conteúdo científico e jornalístico nos canais institucionais e de parceiros, a promoção de encontros e debates com sociedades de especialidades médicas, o lançamento do vídeo oficial da campanha, entre outras ações de comunicação Fortalecer a ABHH como instituição referência na saúde do sangue, reforçando a atuação do hematologista e hemoterapeuta. Esclarecer qual o papel do hematologista e do hemoterapeuta. Construir relações com outras especialidades para que os profissionais entendam quando devem encaminhar um paciente e o porquê. Fortalecer a área e incentivar a escolha da especialidade entre médicos jovens. Conectar os agentes envolvidos na saúde do paciente quando o assunto é sangue por meio de conteúdo informativo e estreitamento de relações com esses stakeholders. Além de engajar toda Diretoria da ABHH, assim como seus colaboradores e seus milhares de associados, a nova campanha pretende atingir médicos e médicas de outras especialidades e a área da Saúde em geral, incluindo gestores, profissionais da atenção primária, iniciativa privada, residentes e estudantes. “Uma boa de campanha de comunicação tem que impactar seu público interno tanto quanto o externo. Entendemos que quando a mensagem é bem recebida por quem atua na área, ela poderá ser disseminada com mais eficiência. Queremos reforçar a atuação do médico hematologista e hemoterapeuta, trazendo-o para o debate mais amplo quando o assunto é saúde”, afirma o presidente da ABHH, Dr. Angelo Maiolino. Objetivos da Campanha “Cuidando do sangue: hematologia e hemoterapia para todos”:

ABHH em Revista 13 / 2024 28 perfil Oxente, Silvia!

Comunicação/ABHH 13 / 2024 ABHH em Revista 29 Conheça a trajetória profissional da hematologista e professora Silvia Maria Meira Magalhães,, presidente do HEMO 2024 Por Verônica Monteiro C ontar a trajetória de Silvia Maria Meira Magalhães, médica nordestina nascida em Fortaleza, no Ceará, passa pelo avanço da mulher na história da hematologia no País. Aos 66 anos de idade, sendo 41 deles no exercício da medicina e professora universitária há 35 anos, Silvia foi uma das primeiras mulheres diretoras da ABHH, se tornou a 13ª professora titular na história da hematologia brasileira, a primeira co-chair mulher de uma edição do Highlights da American Society of Hematology (ASH) e a segunda mulher a presidir o Congresso Brasileiro de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, o HEMO). Como se diz no Nordeste, êta carreira porreta! Dos quatro irmãos, Silvia foi a única que seguiu os passos do pai, Gerardo Assunção Magalhães, que também era médico e professor universitário. Silvia teve o prazer e a forte lembrança de ter sido sua aluna na Universidade Federal do Ceará (UFC). Mas ela conta que a escolha pela medicina não foi exatamente por influência do pai. “Sempre me pareceu uma decisão inteiramente pessoal e irrevogável, apesar de seus constantes alertas com relação às exigências e agruras da profissão”, afirma. Aliás, foi nos corredores da Universidade Federal do Ceará que ela construiu uma relação afetiva e profissional: além da graduação em medicina, ela fez seu mestrado em Hematologia e se tornou Professora Titular de Hematologia. O doutorado em Clínica Médica ela concluiu na Universidade Estadual de Campinas. Vivendo em uma época em que as crianças podiam brincar mais livremente pelas ruas sem perigo, Silvia conta que viveu uma infância e adolescência tranquilas. Entre brincadeiras e passeios de bicicleta, ela dividia seu tempo também entre jogos de vôlei (esporte em que competiu por alguns anos) e o estudo de francês e do piano. “Comecei esses estudos aos oito anos, aos 20 era fluente e tocava muito bem. São doces lembranças da juventude”, relembra a médica. A escolha pela hematologia O Dr. Gerardo e Dona Yara, seus pais, ficaram cheios de orgulho quando ela passou em oitavo lugar no vestibular de medicina, em 1977, aos 19 anos. O apoio da mãe foi essencial para ela iniciar a graduação e seguir a carreira médica. “Ela foi sempre um porto seguro para a família, muito espiritualizada, tranquila, carinhosa e presente em todos os momentos. Hoje ela está prestes a completar seus 90 anos, totalmente lúcida e ativa”, conta. É do seu pai, já falecido, que ela recebeu o bastão médico. “Antes do meu pai falecer, ele confiou o legado da medicina na família a mim dizendo: filha, agora é com você”, lembra. Registro da participação da Dra. Silvia durante o HEMO 2013 Comunicação/ABHH

ABHH em Revista 13 / 2024 30 perfil Quando chegou o momento de escolher sua especialização, ela optou inicialmente por Medicina Intensiva. No entanto, quando o Prof. Dr. José Murilo de Carvalho Martins (precursor do Serviço de Hematologia no Ceará e responsável pela instalação do ambulatório e enfermaria de hematologia do Hospital Universitário Walter Cantídio) a apresentou à hematologia, ela mudou na hora. “Muitas pessoas participaram direta ou indiretamente da minha formação, mas, impossibilitada de mencionar todas, expresso minha gratidão ao Prof. José Murilo. Ele foi meu grande apoiador e exemplo de profissional, presente em diversos momentos da minha carreira, além da Profa. Helena Pitombeira (hoje professora emérita da UFC e referência nacional em hematologia), uma grande mestra de hematologia e de vida.” Uma docência por acaso A hematologia foi cada vez mais se revelando uma área fantástica e profunda. Logo após a residência médica, Silvia foi contratada para trabalhar no Hospital Universitário Walter Cantídio e não demorou muito para iniciar também sua carreira como docente no Serviço de Hematologia da instituição. “Eu jamais pensei e planejei uma carreira de docente, mas de novo o professor José Murilo pegou na minha mão e disse para eu me inscrever. E lá se vão 35 anos como professora.” Após o mestrado e o doutorado, Silvia passou a fazer parte como membro efetivo do Programa de Pós-Graduação em Medicina Clínica, um programa bem-sucedido em que passou a orientar alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado. A partir de então, sua trajetória na hematologia parecia fluir de acordo com o que o destino ordenava. Um dos principais desafios não planejados da sua carreira foi o concurso público que ela prestou para Professor Titular de Hematologia da Universidade Federal do Ceará. “Na época, de acordo com a banca do concurso, fui a 13ª professora titular da hematologia brasileira. Esse cargo é a posição máxima de um docente na universidade e, para alcançá-lo, é necessário que se abra uma vaga e haja um concurso. Foi uma grande emoção com certeza saber disso”, afirma. Sua trajetória na ABHH Lado a lado com sua carreira como médica e docente em ascensão, outra porta se abriu quando ela menos esperava: com a ABHH criada em 2008 a partir da fusão da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) com o Colégio Brasileiro de Hematologia (CBH). Silvia, que fazia parte do CBH, foi convidada pelo Dr. Orlando Bordin (na época presidente do Colégio) para compor a primeira diretoria formada para a ABHH no cargo de vice-presidente de Defesa da Classe. De lá Silvia (primeira da esquerda para a direita) com diretores da ABHH. Ela integrou a primeira diretoria formada da Associação e, desde então, participa e colabora com a ABHH Comunicação/ABHH

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