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Capacitação e mercado
Por
Daniella Pina
Consenso entre especialistas, a
ampliação da formação emmedici-
na nuclear aparece como o principal
caminho para o fortalecimento da
especialidade. Mas quais são as bar-
reiras para que ela possa crescer?
Para o ex-presidente da Sociedade
Brasileira de Medicina Nuclear
(SBMN) Celso Darío Ramos, a falta
de informação ainda é um desses
entraves. “Existe um grande pre-
conceito. Muitos médicos não têm
contato com a especialidade durante
a graduação e, quando ouvem falar,
acabam achando que é algo elitiza-
do, dispensável.”
De acordo com o médico nuclear,
enquanto quase todas as universida-
des dos países desenvolvidos pos-
suem serviços de MN, no Brasil, das
247 faculdades de medicina existen-
tes, apenas 5% dispõem do serviço.
Na opinião da segunda-tesoureira
da SBMN, Bárbara Juarez Amorim,
esse baixíssimo número de faculda-
des com ensino de medicina nuclear
acaba restringindo ainda mais o
acesso da população a exames e
novos tratamentos. “A falta de espe-
cialização emmedicina nuclear den-
tro das faculdades também reduz o
número de médicos interessados na
especialidade e o conhecimento dos
outros especialistas sobre a área,
chegando ao ponto de muitos nem
saberem o que é exatamente a medi-
cina nuclear”, diz.
Segundo a última pesquisa
Demografia Médica no Brasil,
publicada em 2013 pelo Conselho
Federal de Medicina (CFM), dos
268 mil médicos formados no País,
apenas 660 são médicos nucleares
– aproximadamente 0,25% do total.
Das 53 especialidades médicas
reconhecidas atualmente, a medici-
na nuclear aparece na 47ª posição
em número de especialistas, à fren-
te de especialidades como cirurgia
de cabeça e pescoço (631), medicina
Caminho
sinalizado
Inserção da especialidade no currículo da
graduação é um dos principais meios para
a expansão da medicina nuclear no País
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