medicina nuclear em revista
| Out • Nov • Dez 2015
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CONTRASTE
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A união do casal curie trouxe
diversos benefícios para a física
O casal curie no
laboratório de paris
ELA,
provavelmente a mulher
mais importante para a história da
física: a única a ganhar dois prêmios
Nobel. Marie Sklodowska nasceu
em 7 de novembro de 1867, na cidade
de Varsóvia, na Polônia, e ficou
famosa como Marie Curie. De família
humilde, trabalhou desde muito cedo
para ajudar no sustento de seus
parentes. Seu pai, professor de física
e matemática, não teve sorte finan-
ceira na vida. Por isso, ela e sua irmã,
Bronia, sempre trabalharam, mas
nunca desistiram de cursar uma
faculdade, em uma época em que as
mulheres mal frequentavam a escola.
Graças à formação do pai, Marie ini-
ciou os estudos científicos em casa.
Foi em 1891 que sua vida come-
çou a tomar novos rumos, quando
mudou-se para Paris para continuar
os estudos e conseguiu a licenciatu-
ra em física e matemática em 1893.
No ano seguinte, a sorte lhe sorria
mais uma vez: conheceu o professor
Pierre Curie, 35 anos e solteiro.
Instalou-se então definitivamente
em Paris, onde se casaram em 1895 e
iniciaram novos trabalhos no labo-
ratório. A partir daí, a física e a
medicina nuclear começavam a
ganhar novos ares e rumos.
ELE,
um grande nome da física.
Pierre Curie era filho de médico e
nasceu em 15 de maio de 1859, em
Paris. No seu caso, estudar foi um
pouco mais fácil, já que, no século
19, os homens eram incentivados
por suas famílias a seguir carreiras
acadêmicas. Iniciou os estudos na
Faculdade de Ciências e, em 1878,
ganhou licenciatura em física.
Doutor em ciência e professor da
Faculdade de Ciências, seguiu a
carreira até o fim da vida.
Um dos destaques de sua carrei-
ra foi a descoberta da piezoeletrici-
dade, em 1880, juntamente com seu
irmão Paul Jacques. O avanço pro-
vado pela dupla foi a capacidade de
gerar tensão elétrica por uma res-
posta de cristais elétricos forçados a
uma pressão mecânica. Hoje, a pie-
zoeletricidade é utilizada em várias
esferas da ciência, mas também está
presente no cotidiano, como fonte
de ignição para isqueiros, emmicro-
fones e instrumentos musicais.
O CASAL
iniciou as pesquisas
estudando a radioatividade, nome
dado por Marie ao fenômeno desco-
berto pelo também físico Antoine
Becquerel (1852-1908), caracteriza-
do por emitir raios pelos sais de
urânio. Durante as pesquisas, ela
descobriu que a radioatividade era
uma propriedade dos átomos.
Porém, os estudos de Marie não
paravam por aí. Apesar das difi-
culdades que o casal enfrentava no
laboratório, eles seguiram com as
pesquisas. O local de trabalho dos
dois era conhecido por ser pobre,
humilde e precário.
Foi em 1896 que Marie Curie des-
cobriu dois elementos radioativos
que mudaram as perspectivas da
área: o rádio (Ra) e o polônio (Po).
O pioneirismo trouxe o título de dou-
tora para Marie e o reconhecimento
do casal como principais pesquisa-
dores da física. Enquanto ela conse-
guia isolar os elementos químicos,
ele trabalhava para fabricar instru-
mentos que demonstrassem o feito,
comprovando, então, que a radioati-
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