medicina nuclear em revista
| Out • Nov • Dez 2015
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CONTRASTE
mesmo ano, foi nomeada a ocupar o
último cargo de Pierre. Ela foi a pri-
meira professora a dar aulas na
Universidade de Sorbonne e, a par-
tir daí, dedicou seu tempo exclusiva-
mente às pesquisas e às duas filhas.
O segundo Prêmio Nobel veio
logo. Em suas pesquisas, Marie tam-
bém prestou serviços para o avanço
da química. Em 1911, recebeu o prê-
mio por isolar, quimicamente, o
rádio puro. Assim como foi a pri-
meira mulher a receber o Nobel, ela
seria também a única mulher a rece-
ber dois prêmios Nobel.
Para consolidar suas pesquisas,
a física precisava de um espaço
para expor seu trabalho e incenti-
var outros alunos. Como fruto dis-
so, Marie trabalhou para a constru-
ção do Instituto de Rádio na
Universidade de Paris, que come-
çou a funcionar em 1918, que depois
transformou-se em um centro uni-
versal para física e química nuclea-
res. Em 1922, já membro da
Academia de Medicina da França,
ela dedicou seus estudos à química
de substâncias radioativas e de
suas aplicações médicas, o que
pode ser considerado o primeiro
passo da medicina nuclear.
Marie foi convidada a lecionar
em universidades na Bélgica,
Espanha, Brasil e extinta
Tchecoslováquia. Também foi líder
da Comissão Internacional de
Cooperação Intelectual pelo
Conselho da Liga das Nações e teve
a felicidade de presenciar a
Fundação Curie de Paris em desen-
volvimento, além de inaugurar um
Instituto de Rádio em Varsóvia, sua
cidade natal, em 1932.
Nessa época, porém, pouco se
falava sobre o risco de desenvolver
doenças por causa da alta exposição à
radioatividade - na verdade, ainda
não havia uma relação entre as duas
coisas. A pesquisadora manipulava,
semqualquer proteção, cerca de 20
quilos de compostos radioativos, além
de ter uma fascinação pelo brilho dos
sais de rádio, o que a fazia ficar horas
próxima aos elementos. Em 4 de
julho de 1934, aos 67 anos, Marie
Curie faleceu de leucemia, causada
provavelmente pela exposição exces-
siva à radiação. Omesmo elemento
que a fez famosa, causou sua morte
empouco tempo. Até hoje, seus diá-
rios com relatos de sua pesquisa não
podem ser estudados livremente, pois
ainda mantêm alto índice de radiação.
Como reconhecimento póstumo
a Marie Curie, o governo francês
transferiu suas cinzas, junto com as
de Pierre Curie, ao Pantheon, gran-
de museu famoso por sua arquite-
tura, localizado em Paris, em 1995.
A importância
do trabalho
As descobertas do casal Curie
mudaram as perspectivas dos estu-
dos na física e química. De acordo
com as informações do coordenador
do Departamento de Física Médica
da SBMN, Tadeu Kubo, descobrir o
elemento radioativo foi o primeiro
passo para a medicina nuclear exis-
tir como a temos hoje. “A descober-
ta do material foi fundamental, a
base do que a medicina nuclear é
hoje. Eles trouxeram o material
radioativo para que nós pudésse-
mos realizar os exames”, afirma o
especialista.
Além disso, Kubo cita a impor-
tância dessas descobertas para a
física. Segundo ele, foi a partir
desse trabalho realizado pelo casal
que se passou a estudar e desco-
brir a existência de radioatividade
em tudo. “Temos radioatividade no
nosso corpo, nos alimentos que
consumimos, ou seja, em tudo. A
diferença para a medicina nuclear
é a concentração”, conclui o físico.
De acordo com Kubo, a medici-
na nuclear como conhecemos hoje
se deve a três grandes pilares: as
pesquisas do casal Curie; o princípio
radiotraçador, desenvolvido pelo físi-
co húngaro George de Hevesy; e a
produção de imagens, conhecida no
meio nuclear como imagens SPECT.
A descoberta do material foi
fundamental, a base do que a medicina
nuclear é hoje. eles trouxeram o
material radioativo para que nós
pudéssemos realizar os exames
Tadeu kubo,
físico médico




