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MEDICINA NUCLEAR EM REVISTA
| Jan • Fev • Mar • Abr 2016
CONTRASTE
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REPRESENTAÇÃO DE COMO SERIA O ELEMENTO 117,
O SEGUNDO MAIS PESADO DA TABELA PERIÓDICA,
DURANTE SEUS MILISSEGUNDOS DE EXISTÊNCIA
Juntando
conhecimentos de
áreas como física, astrologia, filoso-
fia, metalurgia e matemática, a
alquimia é considerada uma ciência
oculta medieval que tinha como um
de seus principais objetivos domi-
nar a transmutação da matéria e
dos elementos químicos. Desde
seus primeiros registros, na cidade
de Alexandria, por volta do ano 300
a.C., incontáveis alquimistas dedi-
caram suas vidas debruçados sobre
experimentos diversos, buscando
maneiras de transformar chumbo e
outros metais em ouro.
Com o passar dos anos e a evo-
lução da ciência, a responsabilida-
de na busca pelo melhor entendi-
mento dos blocos que constroem o
que chamamos de realidade passou
para a química e a física modernas.
Impulsionados pelo método cientí-
fico e o desenvolvimento teórico e
técnico crescentes, esses cientistas
puderam, aos poucos, completar
nosso conhecimento sobre os ele-
mentos, culminando com os pri-
meiros esboços da estrutura que
chamamos de tabela periódica dos
elementos, tão comum em salas de
aula e laboratórios. Esse diagrama
sistemático foi concebido pelo físi-
co e químico russo Dmitri Mendeleev
em 1869, com 63 elementos iniciais.
A partir daí, muitos alquimistas
modernos passaram a completar a
tabela proposta por Mendeleev, ele-
mento por elemento. Esse caminho
passou da busca no mundo natural
até o urânio (número 92), para a
criação de novos elementos sintéti-
cos, propostos teoricamente e con-
firmados em experimentos feitos
em laboratório.
O ano de 2016 começou com o
anúncio de uma nova decoração das
paredes das escolas e laboratórios de
química. Dessa vez, a tabela periódi-
ca receberá os elementos 113, 115, 117 e
118, completando sua sétima linha.
Em um comunicado à imprensa em
30 de dezembro de 2015, a União
Internacional de Química Pura e
Aplicada (IUPAC, sigla em inglês) e a
União Internacional de Física Pura e
Aplicada (IUPAP, sigla em inglês)
reconheceram oficialmente a exis-
tência dos quatro novos integrantes
(mais informações no
box
).
“A comunidade química está
ansiosa para ver completa até sua
sétima linha a tabela periódica
sobre a qual nos debruçamos por
séculos. A IUPAC já deu entrada
no processo de formalização dos
nomes e símbolos desses elemen-
tos, que são chamados temporaria-
mente de ununtridium (Uut 113),
ununpentium (Uup 115), ununsep-
tium (Uus 117) e ununoctium (Uuo
118)”, afirma o presidente da
Divisão de Química Inorgânica da
IUPAC, Prof. Jan Reedijk.
Pode-se dizer que a tecnologia
envolvida na busca por novos ele-
mentos evoluiu imensamente desde
a época dos alquimistas. Enquanto
os antigos realizavam experimentos
esquentando e destilando compostos,
os químicos e físicos atuais moldam
os novos átomos utilizando colisores
de partículas. Segundo o pós-doutor
em química pela Universidade de
São Paulo (USP) e pesquisador e
docente do Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares (Ipen),
Afonso Aquino, os novos elemen-
tos puderam ser encontrados por
causa da evolução tecnológica des-
ses equipamentos.
“Embora as teorias previssem a
existência de novos elementos, inclu-
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