Background Image
Table of Contents Table of Contents
Previous Page  31 / 36 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 31 / 36 Next Page
Page Background

31

MEDICINA NUCLEAR EM REVISTA

| Jan • Fev • Mar • Abr 2016

CONTRASTE

©SHUTTERSTOCK

REPRESENTAÇÃO DE COMO SERIA O ELEMENTO 117,

O SEGUNDO MAIS PESADO DA TABELA PERIÓDICA,

DURANTE SEUS MILISSEGUNDOS DE EXISTÊNCIA

Juntando

conhecimentos de

áreas como física, astrologia, filoso-

fia, metalurgia e matemática, a

alquimia é considerada uma ciência

oculta medieval que tinha como um

de seus principais objetivos domi-

nar a transmutação da matéria e

dos elementos químicos. Desde

seus primeiros registros, na cidade

de Alexandria, por volta do ano 300

a.C., incontáveis alquimistas dedi-

caram suas vidas debruçados sobre

experimentos diversos, buscando

maneiras de transformar chumbo e

outros metais em ouro.

Com o passar dos anos e a evo-

lução da ciência, a responsabilida-

de na busca pelo melhor entendi-

mento dos blocos que constroem o

que chamamos de realidade passou

para a química e a física modernas.

Impulsionados pelo método cientí-

fico e o desenvolvimento teórico e

técnico crescentes, esses cientistas

puderam, aos poucos, completar

nosso conhecimento sobre os ele-

mentos, culminando com os pri-

meiros esboços da estrutura que

chamamos de tabela periódica dos

elementos, tão comum em salas de

aula e laboratórios. Esse diagrama

sistemático foi concebido pelo físi-

co e químico russo Dmitri Mendeleev

em 1869, com 63 elementos iniciais.

A partir daí, muitos alquimistas

modernos passaram a completar a

tabela proposta por Mendeleev, ele-

mento por elemento. Esse caminho

passou da busca no mundo natural

até o urânio (número 92), para a

criação de novos elementos sintéti-

cos, propostos teoricamente e con-

firmados em experimentos feitos

em laboratório.

O ano de 2016 começou com o

anúncio de uma nova decoração das

paredes das escolas e laboratórios de

química. Dessa vez, a tabela periódi-

ca receberá os elementos 113, 115, 117 e

118, completando sua sétima linha.

Em um comunicado à imprensa em

30 de dezembro de 2015, a União

Internacional de Química Pura e

Aplicada (IUPAC, sigla em inglês) e a

União Internacional de Física Pura e

Aplicada (IUPAP, sigla em inglês)

reconheceram oficialmente a exis-

tência dos quatro novos integrantes

(mais informações no

box

).

“A comunidade química está

ansiosa para ver completa até sua

sétima linha a tabela periódica

sobre a qual nos debruçamos por

séculos. A IUPAC já deu entrada

no processo de formalização dos

nomes e símbolos desses elemen-

tos, que são chamados temporaria-

mente de ununtridium (Uut 113),

ununpentium (Uup 115), ununsep-

tium (Uus 117) e ununoctium (Uuo

118)”, afirma o presidente da

Divisão de Química Inorgânica da

IUPAC, Prof. Jan Reedijk.

Pode-se dizer que a tecnologia

envolvida na busca por novos ele-

mentos evoluiu imensamente desde

a época dos alquimistas. Enquanto

os antigos realizavam experimentos

esquentando e destilando compostos,

os químicos e físicos atuais moldam

os novos átomos utilizando colisores

de partículas. Segundo o pós-doutor

em química pela Universidade de

São Paulo (USP) e pesquisador e

docente do Instituto de Pesquisas

Energéticas e Nucleares (Ipen),

Afonso Aquino, os novos elemen-

tos puderam ser encontrados por

causa da evolução tecnológica des-

ses equipamentos.

“Embora as teorias previssem a

existência de novos elementos, inclu-

© KWEI-YU CHU/LLNL