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MEDICINA NUCLEAR EM REVISTA
| Jan • Fev • Mar • Abr 2016
CONTRASTE
os quatro novos elementos, uma vez
que todos possuem uma vida extre-
mamente curta. Ainda assim, o
aprimoramento das técnicas neces-
sárias para obtenção de novos ele-
mentos favorece todas as áreas que
trabalham com aceleradores - linea-
res ou cíclotrons -, o que pode ser
benéfico para especialidades como a
medicina nuclear.
“Do ponto de vista teórico, ain-
da fica aberta a possibilidade de se
obter os elementos do oitavo período
da tabela periódica. Existem alguns
estudos mostrando que a partir do
elemento 120 existiria uma região
que abrigaria elementos superpesa-
dos estáveis”, sugere o pesquisador
do Ipen.
Esse terreno quase etéreo e fan-
tasioso abrigaria as ‘ilhas de estabi-
lidade’. Infinitamente mais precio-
sas do que a pedra filosofal perse-
guida pelos alquimistas, elas seriam
formadas por isótopos possuidores
de ‘números mágicos’ de nêutrons e
prótons, algo com o qual nemmes-
mo os antigos magos poderiam
sonhar. Essa quantidade quase
cabalística de partículas permitiria a
esses elementos vidas úteis de
minutos, horas e dias.
“Elementos superpesados está-
veis trariam novas possibilidades de
uso em campos muito distintos.
Poderíamos, por exemplo, utilizá-los
em áreas como medicina, materiais,
energia e informática, entre outras.
Desbravar essas teóricas ilhas de
estabilidade possibilitaria uma nova
revolução científica e tecnológica,
mas, por enquanto, é apenas uma
hipótese”, finaliza Aquino.
QUEM SÃO ELES?
Por mais que só tenham sido reconhecidos no começo do ano, os quatro novos ele-
mentos já estavam teoricamente previstos há mais tempo. Sua demonstração em
laboratório foi feita apenas depois.
Elemento 113
: com uma vida reduzida de um milissegundo, sua confirmação foi
realizada em 2012 por uma equipe de cientistas japoneses da Universidade de
Kyushu, liderados por Kosuke Morita.
Elemento 115
: altamente radioativo, esse elemento existe por menos de um segun-
do antes de se decompor em átomos mais leves. Foi relatado pela primeira vez em
2004 por cientistas russos, mas só confirmado nove anos depois, a partir de novas
evidências, na Suécia.
Elemento 117
: o segundo elemento mais pesado conhecido tem uma vida de pou-
cos milissegundos. O anúncio de sua descoberta ocorreu em 2010, por uma equipe
russo-americana de pesquisadores.
Elemento 118
: sua vida útil também é de milissegundos. Foi confirmado em 2002
pelo Instituto Unificado de Pesquisas Nucleares de Dubna, na Rússia.
NOS ACELERADORES DE PARTÍCULAS,
ÁTOMOS COM PESOS VARIADOS SÃO
JOGADOS UNS CONTRA OS OUTROS PARA A
CRIAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS. NA FOTO,
O LARGE HADRON COLLIDER (LHC), MAIOR
EQUIPAMENTO DESSE TIPO NO MUNDO




